Campanha contra aftosa começa sexta

26/02/2008

Campanha contra aftosa começa sexta

RITA CONRADO 

 

Classificado internacionalmente como Estado Livre da Febre Aftosa com Vacinação, a Bahia inicia, este mês, a primeira etapa da campanha anual de vacinação que, parte de um trabalho que inclui fiscalização e informação aos criadores, entre outras ações, tem evitado a ocorrência de aftosa nos últimos 10 anos.

A Campanha de Vacinação Contra a Febre Aftosa será lançada na próxima sexta-feira, mas o trabalho preventivo é ininterrupto, segundo Valentim Fidalgo, diretor de Defesa Sanitária Animal da Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), órgão ligado à Secretaria de Agricultura do Estado.

“A Bahia tem mantido métodos eficazes para impedir a reintrodução do vírus, mas a meta é sempre o controle absoluto, que dispensará vacinação”, ressalta Fidalgo. Atualmente, no Brasil, apenas Santa Catarina reúne tais condições. Os requisitos necessários para se alcançar tal status, segundo Fidalgo, são completa atenção veterinária, fiscalização impecável e pessoal qualificado.

Apesar do comprovado sucesso na prevenção da doença, a Bahia enfrenta o desafio de manter a saúde dos seus rebanhos diante da proximidade com os Estados de Piauí, Alagoas e Pernambuco, que não são consideradas áreas livres de aftosa.

“Um único animal doente pode causar um estrago imenso a toda economia do Estado”, afirma o diretor da Adab, ressaltando as centenas de palestras e eventos de campo realizados durante o ano. A vacinação, que acontece em duas etapas, nos meses de março e setembro, é responsabilidade do criador e a não-vacinação é passível de multas.

Atualmente, o município de Itamaraju possui o maior rebanho do Estado, 170 mil bovinos.

Salvador tem o menor: menos de 100 cabeças, espalhadas em pequenas cocheiras nas áreas periféricas da cidade, como Cajazeiras e subúrbio ferroviário.

Com o preço médio de R$ 1,20 e aplicada duas vezes por ano, a vacina vem garantindo a saúde dos rebanhos baianos e colaborado com o fato de o Brasil possuir o maior rebanho comercial do mundo.

Presidente do Fórum Permanente da Pecuária de Corte do Estado da Bahia, Wilson Paes Cardoso, pecuarista da região da Chapada Diamantina, ressalta a importância da vacina mas defende a prorrogação da vacinação até o mês de abril nas regiões castigadas pela seca no Estado.

“O gado está fraco e pode não resistir ao manejo”, teme. Em áreas críticas, como na região do Sisal e Chapada Diamantina, afirma, há cidades que já perderam mais de mil cabeças de gado. Para ele, o ideal seria aguardar as chuvas. “O trabalho de prevenção tem se mostrado intenso e eficaz, com os próprios pecuaristas fiscalizando os rebanhos vizinhos”, diz.

“Deve-se pensar na possibilidade de prorrogar o prazo de vacinação nessas regiões”, opina