26/02/2008
Começa censo de pescadores
Terceiro maior produtor de pescados do Brasil, a Bahia tem, contudo, um consumo baixo do produto, por uma única razão: o preço elevado. Nos 44 municípios costeiros, cuja produção em 2005 (data da última estatística ) foi de 45 mil toneladas, a atividade da pesca é basicamente artesanal e é considerada cara, o que torna os produtos inacessíveis para uma boa parte da população do Estado.
Saber quanto se produz, onde e como, quem são os pescadores e como essa comercialização é feita, é o que pretende a Bahiapesca, empresa vinculada à Secretaria da Agricultura e Pesca do Estado da Bahia, que iniciou ontem o I Censo de Pescadores da Bahia. Nessa primeira etapa, que vai até o final de março, vão ser recenseados 13 municípios do entorno da Baía de Todos os Santos, incluindo Salvador. O primeiro Censo Solidário da Pesca pretende traçar seu perfil socioeconômico e fazer o levantamento da fauna marinha, As estimativas são de que sejam cadastrados pelo menos 80 mil pescadores e marisqueiras, em 600 comunidades litorâneas.
A partir dos dados, que incluem ainda a situação da educação, habitação, saneamento e saúde básicas, serão estabelecidas políticas públicas para o setor.
DESAMPARO – Para pescadores antigos, como José Roberto Nascimento da Silva, 59 anos, o Pipoca, responsável pelo Núcleo da Colônia de Pesca Z-1, do Rio Vermelho, a categoria vive dias de desamparo. “Não temos barcos adequados, falta-nos incentivos para profissionalizar a pesca e, principalmente, crédito para modernização dos equipamentos”, afirma.
Ele explica que o último financiamento feito para a aquisição de barcos foi feito há mais de quatro anos. “Mas surgiram tantas irregularidades que o programa foi suspenso”, diz. Dos barcos prometidos, apenas dois foram liberados para o setor da Mariquita (onde existem 113 pescadores cadastrados), seis para a sede da Colônia, na Praia de Santana, e dois para o núcleo de pescadores da Pituba.
O maior problema está nas comunidades do interior da Baía de Todos os Santos, segundo a coordenadora do censo e assessora técnica de Gestão social Tâmara Azevedo. “Muita gente não percebe, mas são essas comunidades que abastecem de pescado as populações mais pobres. E são elas que vivem nas piores condições de insalubridade, abaixo até mesmo da linha de pobreza”, explica.
PROJETO BIJUPIRÁ – O Censo de Pescadores faz parte de um amplo programa de fortalecimento da pesca marinha, com ênfase para a Baía de Todos os Santos. Aproximadamente R$ 4,8 milhões vão ser investidos em programas sociais, capacitação e educação ambiental.
Um deles é a criação, em cativeiro, nas águas da Baía de Todos os Santos, do Bijupirá, uma das espécies de peixes mais consumidos no Nordeste. A 500 metros da Praia da Ribeira, 30 tanquesgaiolas estão sendo colocados desde o final de dezembro do ano passado para a criação e engorda de alevinos.
Nas praias dos municípios de Candeias, Ilha dos Frades e Bom jesus dos Passos, 150 criatórios de ostras foram montados. A Bahia é o primeiro estado brasileiro a reproduzir o bijupirá em cativeiro.
O peixe é uma das espécies mais valorizadas no mercado consumidor, com grande valor comercial. o animal chega a pesar de seis a oito quilos em apenas um ano em cativeiro e habita as regiões Norte, Sudeste e Sul