Embargo não altera os projetos de frigoríficos
Mesmo com o embargo europeu, os frigoríficos brasileiros mantêm planos de investimento. Ontem, o Minerva e do Marfrig anunciaram novas compras. "Investi-mentos fora dos bovinos e do Brasil mostram que os frigoríficos estão criando outros caminhos", acredita José Vicente Ferraz, diretor da AgraFNP. No caso do Minerva, diz, diminui "relativamente" a importância da carne bovina. O analista da Safras & Mercado, Paulo Molinari, lembra que investimentos nunca são de resultado imediato. "Todo mundo sabe que a Europa não pode restringir compras indefinidamente.
O Marfrig adquiriu 100% do controle da Carroll’s Food do Brasil S.A pelo valor de R$ 42,26 milhões - a ser ratificado após um período de auditoria e sujeito a aprovação em Assembléia Geral de Acionistas. A empresa vendida havia perdido seu presidente, no ano passado, em acidente aéreo.
Com a compra, o Marfrig amplia a sua participação na área de suínos. A unidade da Carroll’s, localizada em Diamantino (MT), tem capacidade de abate de 1 mil suínos por dia. Controla também a maior fábrica de ração animal do estado, com produção de 50 toneladas por hora, além de duas granjas no estado, com 12.500 matrizes e 160 mil suínos em estoque, que produzem 1.200 cabeças/dia. O Marfrig anunciou também o arrendamento de uma unidade frigorífica de suínos em Itararé (SP).
O início das operações das novas plantas será em 1 de março.
Seguindo a estratégia de agregação de valor ao produto, o Minerva S.A. arrendou seu segundo curtume no em São Paulo. A unidade, com capacidade de produção diária de 2.500 couros, está localizada em Monte Aprazível. Com o arrendamento, a empresa espera que a participação da Divisão Couros passe de 7%, no ano passado, para 10% das vendas totais. Em agosto a empresa havia arrendado outra unidade, em Fernandópolis, onde já está produzindo e finalizando investimentos para alcançar a capacidade de 2.500 couros por dia. O grupo espera encerrar o ano com produção de 7 mil couros diários e também aumentar a participação nas exportações brasileiras, passando de 4% para 7%.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 8)(Neila Baldi)