Zona rural pobre terá R$ 1 bilhão

26/02/2008

Zona rural pobre terá R$ 1 bilhão

 As regiões com menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) e atividade econômica da Bahia – Chapada Diamantina, Sisal, Sul e Velho Chico – receberão pouco mais de R$ 1 bilhão este ano do programa federal Territórios da Cidadania. A maior parte ficará com os 20 municípios da região sisaleira de Valente, com R$ 238,4 milhões.

Liderado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), o programa foi lançado ontem no Palácio do Planalto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva visando desenvolver as localidades rurais mais carentes do País. Quase sem recursos extras, um mesmo pacote reúne várias ações já tocadas por 19 ministérios para atender de forma combinada 60 territórios dos “grotões e sertões” do Brasil, conforme palavras de Lula.

PASSO – Bolsa-Família, Agricultura Familiar, Biodiesel, Farmácia Popular, Luz Para Todos e outros garantirão investimento de R$ 11,3 bilhões este ano, em 135 ações de desenvolvimento regional e de assistência social para 958 cidades de todas unidades da Federa ção.

São cerca de 6 mil obras combinadas entre União, Estados e municípios. “Esse é o segundo passo para acabar com a pobreza”, disse o presidente, fazendo defesa dos programas de transferência de renda. “Não tenho fobia de acabar com o Bolsa-Família.

Ele vai durar o tempo que precisar”, completou.

O presidente acha que o governo aprendeu com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) a importância de realizar parcerias entre governos e ministérios para tornar as políticas públicas mais eficazes.

Prova do sentido de urgência das parcerias nos três níveis de governo foi o discurso do governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB). Convidado a falar, o político cujo partido é ferrenho adversário do presidente Lula, elogiou abertamente a iniciativa federal. “Alguns vão ficar enciumados”, brincou durante o discurso. “Pela primeira vez há coordenação de União, Estados e municípios para atender os bolsões de pobreza do País”, disse o tucano.

Teotônio lembrou que Alagoas tem o pior IDH do País, com metade da população vivendo na miséria. Eduardo Braga (PMDB), governador do Amazonas, preferiu ressaltar que o grupo de ações irá ajudar a reduzir o desmatamento da Floresta Amazônica. A Bahia foi representada no evento pelo vice-governador, Edmundo Pereira, e pela secretária da Casa Civil, EvaMaria Chiavon. A cerimônia oficial foi transmitida pela televisão para grupos de representantes dos 26 Estados e do Distrito Federal.

CANTADOR – O lançamento contou com participação, via satélite, do repentista Antônio Ribeiro da Conceição, o Bule-Bule, que estava em Valente (BA), a 232 quilômetros de Salvador. BuleBule cantou um repente sobre os objetivos do programa. “Nordestino sabe mesmo resistir ao tempo e aos maus políticos”, comentou Lula após a apresentação do artista. “O maior custo Brasil não são os impostos, mas um século de esquecimento do povo pobre”, emendou. O presidente diz ter certeza de que o programa será chamado de assistencialista, mas disse confiar na “inteligência do povo para distinguir o que é boa fé do que é de má fé”. A meta é dobrar o número de “territórios” beneficiados até 2010.

ELEIÇÕES – O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, negou que o programa tenha a ver com as eleições municipais. “Seria uma mesquinharia.

Não podemos deixar de combater a pobreza porque é ano eleitoral”, disse.

Os territórios somam 24 milhões de habitantes – 7,8 milhões na zona rural. O Nordeste recebe a maior parte dos investimentos (R$ 5,4 bilhões) para o maior número de municípios (499).