Novo recorde de fusões e aquisições entre usinas

28/02/2008

Novo recorde de fusões e aquisições entre usinas 


 

As operações de fusões, aquisições e compras de participação bateram recorde no segmento sucroalcooleiro no ano passado e prometem continuar aquecidas neste ano. A forte queda dos preços do açúcar durante todo o ano de 2007 ajudou a tornar os ativos (usinas) mais baratos para os compradores e foi um grande estímulo aos negócios, sobretudo para os grupos e fundos estrangeiros, que responderam por 70% das transações realizadas no ano passado. 


Levantamento da consultoria KPMG mostra que o número de transações envolvendo usinas cresceu 178% no ano passado no país: foram 25 operações, ante nove no ano anterior. O número inclui compras de participações em unidades ou empresas, sobretudo por fundos de private equity, disse André Castello Branco, sócio de corporate finance da consultoria. 


Foi a partir de 2003 que o movimento de fusões e aquisições neste segmento começou a ficar mais aquecido. "O mercado internacional para álcool ficou mais concreto e os grupos internacionais voltaram-se para o Brasil", afirmou Castello Branco. Naquele ano, foram realizadas cinco operações e outras cinco foram computadas no ano seguinte (ver quadro ao lado). 


Por conta do maior potencial para o mercado de álcool, houve uma mudança também no perfil dos investidores. Grupos e fundos internacionais começaram a mirar o Brasil como rota de investimentos. Em 2006, pela primeira vez, o número de aquisições realizadas por estrangeiros superou o número de transações capitaneadas por grupos nacionais. Em 2007, foram 18 operações com estrangeiros e sete envolvendo grupos do país. Companhias como a multinacional americana Bunge, a espanhola Abengoa, os asiáticos Noble Group, as francesas Louis Dreyfus Commodities e Tereos adquiriram usinas no país. A japonesa Sojitz comprou participação na ETH Bioenergia, controlada pela Odebrecht. 


"Os fundos inflacionaram muito os preços das usinas nos últimos meses", afirmou Pedro Mizutani, vice-presidente geral do grupo Cosan, a maior companhia sucroalcooleira do país, e uma das responsáveis pelo movimento de concentração do setor nos últimos anos. No ano passado, contudo, a Cosan não foi às compras, mas foi alvo de investidas de grandes fundos internacionais que decidiram aumentar sua participação na companhia, cujos papéis são negociados na Bovespa e bolsa de Nova York. "Em 2007 priorizamos os projetos 'greenfield' (construção)." Em fevereiro deste ano, contrariando a estratégia adotada em 2007, a Cosan anunciou a compra da usina Benálcool, que pertencia ao grupo J. Pessoa. "Estamos de olho no mercado", disse Mizutani.