OMC ainda pode ser a solução
O Ministério das Relações Exteriores considerou o anúncio do fim do embargo como positivo. Mas, segundo o diretor do Departamento Econômico da Subsecretaria-geral de Assuntos Econômicos e Tecnológicos do Itamaraty, Carlos Márcio Bicalho Cozendey, "até que as coisas voltem ao normal", o Brasil continuará se preparando para uma eventual disputa com os europeus na OMC.
De acordo com ele, a medida significa a retomada do que os europeus haviam dito que fariam em dezembro passado. Ou seja: que eles publicariam o nome das empresas que poderão exportar ao bloco de acordo com a lista apresentada pelo governo brasileiro. "É uma indicação de que eles não querem fechar por fechar, mas temos que observar as próximas etapas para ampliar isso".
Um estudo preliminar da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostra que há duas possibilidades de violação dos Acordos da OMC no caso de implementação de listas discriminatórias e limitadas de propriedades aptas a exportar para a União Européia. No entanto, a própria instituição reconhece que "ainda é cedo" para uma atitude destas e que a negociação é o melhor caminho. O estudo da CNA mostra que a União Européia está fazendo exigências ao Brasil que não faz para outros dois importantes fornecedores: Argentina e Uruguai. Nem mesmo dentro do bloco exige-se, por exemplo, a habilitação prévia das fazendas fornecedoras aos frigoríficos. (Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 4)(Fernando Exman e Neila Baldi)