Seminário discute uso sustentável dos recursos da caatinga

29/02/2008

Seminário discute uso sustentável dos recursos da caatinga

 


Fruto original da caatinga, o umbu está sendo transformado em geléias, sucos e doces e exportado para Alemanha e Áustria pela Cooperativa de Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc), beneficiando cerca de 200 famílias.

A experiência da cooperativa de promover a conservação e o uso sustentável dos recursos florestais da caatinga, garantindo práticas eficientes na produção, foi apresentada durante o Seminário Regional Nordeste: Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade da Caatinga, em Juazeiro, norte da Bahia. O evento promovido pelo Governo Federal, em parceria com o Governo do Estado, reúne subsídios e propostas para a formulação de políticas públicas específicas para o bioma.

A idéia é criar estratégias para agregar valor socioambiental à produção e formas de incremento à comercialização de produtos extraídos da caatinga de forma sustentável (sociobiodiversidade).

Pequenos agricultores - O presidente da cooperativa, Jusemar da Silva, explicou que a atividade garante o sustento dos pequenos agricultores da região e contribui para a conservação da espécie, além de não agredir o meio ambiente.

"Uma grande vantagem do umbuzeiro é que ele não precisa de fertilizantes e a colheita é feita a mão", disse o produtor, ao acrescentar que, antigamente, os agricultores batiam no tronco para que os frutos caíssem. "Hoje, eles sabem que se fizerem isso os umbuzeiros vão morrer."

Segundo a coordenadora do Departamento de Mulher da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme), Ceiça Pitaguary, garantir a preservação do bioma caatinga é gerar vida e sustentabilidade para, aproximadamente, 52 povos tradicionais que aprenderam a sobreviver da caatinga.

Riqueza natural - De acordo com a coordenadora de Biodiversidade da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado (Semarh), Marianna Pinho, ao contrário do que se pensava até pouco tempo, o bioma caatinga não é pobre. Sua riqueza está representada nos animais, nas plantas e nas comunidades tradicionais, que convivem no dia-a-dia com esta realidade.