Exportações brasileiras devem ficar estáveis
O embargo europeu à carne brasileira fez a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) rever as exportações do País. A estimativa anterior era de aumento de 15% no volume embarcado. Agora, a instituição acredita em manutenção dos embarques. Em 2007, o Brasil exportou 195 mil toneladas de carne bovina in natura para os europeus, respondendo por US$ 1,087 bilhão em negócios. Em janeiro foram enviadas 19,8 mil toneladas do produto ou US$ 146,3 milhões.
Para a CNA, apesar da liberação das 106 fazendas, o mercado europeu continua fechado para a carne brasileira. "O quadro se mantém com poucas alterações", disse o assessor-técnico da CNA, Paulo Sérgio Mustefaga. Segundo ele, a medida não representa "quase nada": ou seja, somente 0,3% dos 30 mil empreendimentos que exportavam anteriormente. Ele não acredita em um efeito dominó do embargo, uma vez que a demanda externa por carne é elevada.
Na avaliação da CNA, o embargo não deve surtir efeito negativo à produção do Brasil, pois o produto que seria vendido aos europeus poderá ser redirecionado para outros mercados. O presidente da Comissão de Pecuária de Corte da CNA, Antenor Nogueira, aposta também na manutenção do crescimento da demanda interna, cujo consumo per capita cresceu 8,1% para 40 quilos em 2007.
Em tese, Nogueira acredita que a demanda por carne na União Européia deve provocar um efeito cíclico no mercado internacional. "A tendência é de alta por parte da demanda. Primeiro, a União Européia vai buscar outros mercados (em substituição ao Brasil) e, para isso, terá que pagar preços maiores para conseguir o produto de outros países que já têm seus clientes certos. Ou seja, os preços devem subir puxados pela União Européia", analisa. Ele acrescenta que o Brasil ganha com isso, uma vez que é o maior rebanho comercial do mundo.
Em janeiro, o preço médio internacional atingiu US$ 3,971 mil a tonelada, 65,4% a mais que os US$ 2,401 mil em igual mês do ano passado. "As perspectivas de sustentação dos preços poderão estimular o produtor a retomar os investimentos na atividade, após anos em que os reajustes dos custos de produção superaram os aumentos da arroba", afirma Nogueira. A CNA ainda não tem os dados de exportação fechados do mês de fevereiro. Mas ele, acredita que as vendas externas fecharam em alta.
Para Nogueira, o governo brasileiro poderia ter proibido todas as exportações para aquele país durante um período de seis meses para fazer o dever de casa.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 3)(Viviane Monteiro)