O I festival de chocolate
O sul da Bahia movimenta-se com a chegada de missões precursoras de escritores, ambientalistas e mestres chocolateiros de todo o mundo para a comemoração dos 50 anos de G abriela Cravo e Canela, durante o I festival de chocolate da mata atlântica no final de maio, em Ilhéus. Organizado pela Prefeitura de Ilhéus, a Fundação Casa de Jorge Amado e a Universidade Livre da Mata Atlântica (UMA), mostrará chocolateiros nacionais e internacionais, juntamente com personagens de Jorge Amado, produzindo chocolates finos diretamente do cacau, revelando valores contidos nos frutos de ouro da rica – e sofrida – região cacaueira da mata atlântica.
Agora, chocolate e cosméticos à base de cacau poderão apresentar nas embalagens o certificado de origem controlada, como queijos e vinhos europeus, mostrando ao consumidor como o cacau é cultivado preservando a floresta.
Alinhados aos princípios da Rede da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA/Unesco) e da Estratégia de Sevilha, que orientam formas de conservação e desenvolvimento, empresários, banqueiros, ambientalistas e dirigentes de fundos de investimento discutirão novos modelos de econegócios que atraem capitais internacionais para os eixos das Metas do Milênio.
Dirigentes do Principle of Responsable Investments (PRI), da ONU, que reúne fundos privados com ativos da ordem de US$ 13 trilhões, estarão presentes.O cacau baiano, antes exportado como escravo, sem nome, sem certidão de nascimento e sem passaporte, passa a ter certificado de origem controlada, revelando o único local do mundo onde a matéria-prima do chocolate é produzida em ambiente com recordes em biodiversidade: a Floresta de Chocolate da Bahia.
Enquanto a Associação Brasileira da Indústria de Chocolate, Cacau e Derivados (Abicab), sediada em São Paulo, exibe cifras bilionárias dos negócios baseados no cacau – R$ 5,6 bilhões de faturamento em chocolates, R$ 2,5 bilhões em balas, com exportações para 152 países –, a região cacaueira exibe recordes de desemprego, pobreza e degradação social.
Assim como o governador Jaques Wagner, a cinqüentona Gabriela quer saber por que o quilo do cacau continua a ser vendido a R$ 3 nas fazendas, enquanto o mesmo quilo de chocolate caseiro é vendido a R$ 120 em Ilhéus; e para onde vão as riquezas que vazam das suas terras, enfraquecendo os municípios e empobrecendo a sua gente.
A Bahiatursa sabe que, se o Festival de Chocolate de Gramado leva para a Serra Gaúcha mais de 150 mil turistas/ano, gerando rendas superiores a R$ 40 milhões/ano, o chocolate, aliado ao imaginário de Jorge Amado e àMata Atlântica, pode gerar riquezas, atrair econegócios, turistas e renda para as Terras do Sem Fim.
Com o festival de chocolate, a região chocolateira da mata atlântica da Bahia inscreve-se no roteiro internacional do chocolate, exibe-se para o mundo e reage, dando sinais de retomada da sua economia.