Crescem os investimentos após saída dos aventureiros da cana

07/03/2008

Crescem os investimentos após saída dos aventureiros da cana


 

Depois da crise de preços no mercado sucroalcooleiro em 2007 e a conseqüente saída de investidores "aventureiros", o setor está peneirado e acelera firme seus investimentos com aposta no médio e longo prazos. No ano passado, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desembolsou para toda a cadeia sucroalcooleira R$ 3,7 bilhões, dos quais R$ 1,8 bilhão para ampliação da capacidade produtiva, ou seja, projetos novos de usinas ou ampliação das já existentes. Esse tipo de investimento deve atingir este ano entre 2,5 bilhões e 3 bilhões, o que representará crescimento de 38% a 66%, segundo Carlos Eduardo Siqueira Cavalcante, chefe do departamento de Biocombustíveis do BNDES.
Estendendo o percentual de expansão para todos os outros departamentos do banco - o que inclui, por exemplo, desembolso de recursos para participação acionária - o valor de R$ 3,7 bilhões de 2007 pode superar os R$ 5 bilhões, segundo estimativas do mercado. "Não existe arrefecimento na intenção de investimento por parte de grupos que têm projetos de longo e médio prazos", diz Júlio Maria Borges, da JOB Consultoria.
Paulo Faveret Filho, gerente de Biocombustíveis do banco, explica que cada vez mais os projetos sucroalcooleiros que tramitam no banco aumentam de porte. Atualmente, o valor médio desses projetos em negociação é de R$ 380 milhões, valor que em janeiro passado foi de R$ 178 milhões e, há dois anos, de R$ 78 milhões. "São estruturas novas, de maior porte e que estão sendo implantadas nas novas fronteiras", diz Faveret.
Eles também estão cada vez mais pulverizados pelo País. Em 2007 os desembolsos foram para projetos em 530 municípios diferentes, ante os 360 municípios de 2006 e 229 de 2004.
Faveret acredita que os desembolsos para esse setor devem continuar crescendo em 2009, mas a taxas menores. Desde 2001, o crescimento médio anual de liberações ao setor foi de 72%. Há sete anos, o banco liberou R$ 350 milhões para essa atividade, valor dez vezes menor que o realizado em 2007.
Já reflexo dos investimentos que vêm sendo feitos desde 2006, a moagem de cana no Brasil cresceu 14% entre as safras 2006/07 e 2007/08, de 372,7 milhões de toneladas para 427 milhões de toneladas, um acréscimo de 55 milhões de toneladas. Mas, em setembro de 2006, 146 projetos foram anunciados prometendo acrescentar moagem de 300 milhões de toneladas, dos quais, estima-se, um terço desistiu.Depois de um ano de 2007 com preços baixos para açúcar e álcool, o BNDES aumentou a cautela para conceder crédito, segundo Faveret. "O risco financeiro fica maior em um cenário de preços baixos. Assim, também aumenta a exigência de capital próprio no financiamento. Mas isso é avaliado caso-a-caso", esclarece Faveret. Normalmente, os projetos têm mantido a relação de desembolso do banco entre 60% a 65% do valor e, o restante de capital próprio.
Grandes empresas afirmam não ter tido restrições com crédito, mesmo com a turbulência de preços de 2007 e, sobretudo com a crise americana. "Fizemos recentemente aumento de capital interno para aproveitar algumas oportunidades. Não tivemos problemas, mas é perceptível que os investidores estão mais exigentes, querem mais informações e entender a lógica do projeto", explica Rogério Manso, vice-presidente de Comércio e Logística da Companhia Brasileira de Energia Renovável (Brenco).
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 8)(Fabiana Batista)