Suplemento mineral está 60% mais caro

11/03/2008

Suplemento mineral está 60% mais caro

 

A briga entre a pecuária e a agricultura, que já ocorria na área disponível para a atividade, agora se intensifica nos insumos. O produtor está pagando mais caro pela alimentação - não só porque os grãos estão mais caros, mas também porque a maior demanda por ácido fosfórico para a indústria de fertilizantes fez aumentar o preço do fosfato bicálcio - matéria-prima para a suplementação mineral. Resultado: nesta disputa, tem indústria de suplementação em férias coletivas por falta de matéria-prima. E, para o pecuarista, isso significou pagar mais pelo pouco suplemento disponível, reduzindo seu poder de compra.
Segundo levantamento feito pela Scot Consultoria a pedido da Gazeta Mercantil mostra que em março de 2007 o pecuarista gastava 13,8 arrobas de boi gordo para uma tonelada de fosfato bicálcico. Agora precisa desembolsar 24 arrobas. "O preço do boi subiu, mas do fosfato foi além", diz Gabriela Tonini, da Scot Consultoria. Em 12 meses, a cotação média do boi aumentou 34,75%, enquanto a do fosfato foi 135,3% maior. De acordo com a analista isso ocorre porque o Brasil consome mais do que produz e, no mercado internacional, a cotação também está em alta.
O resultado é que, enquanto a arroba do boi gordo subiu 2,25% nos acumulado do ano, a suplementação mineral - que responde por cerca de 15% do custo total da pecuária de corte - aumentou entre 30% a 60%, dependendo do produto e da indústria. " Tem muita empresa com dificuldade de atender os pedidos", diz Gabriela.
É o caso da Zoosal, que deu férias coletivas a seus funcionários por falta de matéria-prima. "Nossos fornecedores alegam que não têm o produto", diz Osmar Lebedenco, gerente-comercial da empresa. Ele acredita que desde janeiro já perdeu metade de sua produção - 30 mil toneladas mensais - devido às sucessivas paradas (é a terceira vez no ano que dá uma pausa de 10 dias).
Para solucionar parte do problema, a Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram) está solicitando ao governo a retirada da alíquota de importação do fosfato bicálcico (10%) e do ácido fosfórico (4%). Também querem a isonomia com a indústria de fertilizantes. "Esta caracterizado o desabastecimento no Brasil", afirma Marcos Baruselli, presidente da associação. De acordo com ele, 80% dos sócios da Asbram disseram que estão com problemas de abastecimento e 68% afirmaram que podem parar as atividades. Na sua avaliação, a nutrição animal "pagou a conta" pela maior demanda mundial por fertilizantes.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 9)(Neila Baldi)