Verão dos EUA abre espaço à exportação de etanol do Brasil
Em torno de 1,2 bilhão de litros de etanol brasileiro devem ser exportados ao Hemisfério Norte para entrega nos meses de junho, julho e agosto. Correspondem a 34% de tudo o que o Brasil exportou em 2007 (3,5 bilhões de litros). Metade do volume esperado (600 milhões de litros) deve abastecer o leste dos Estados Unidos, que consome em torno de 10% mais combustível no verão e que tem logística desfavorável para receber o álcool de milho americano - produzido no Meio-Oeste do país.
A janela de oportunidade se deve à alta dos preços da gasolina nos Estados Unidos que, dos atuais US$ 2,42 o galão (3,785 litros) sinaliza para junho US$ 2,7395. "Além da alta do combustível derivado de petróleo, que eleva os preços do etanol naquele país, a janela de oportunidade se deve ao indicativo de valores mais baixos do produto no mercado brasileiro em junho, período de safra, ou seja, de muita oferta", explica Tarcilo Rodrigues, diretor da Bioagência.
A outra parte das exportações previstas para o trimestre de verão devem seguir para a Europa (150 milhões de litros) e outros destinos (50 milhões de litros). Esses negócios de venda externa de álcool estão sendo fechados em níveis de US$ 485 o metro cúbico (1 mil litros), posto no porto de Santos. Na Europa, esse valor é de US$ 10 a US$ 15 mais alto, de acordo com cálculos da Bioagência.
Teoricamente, com o nível atual de preços do álcool no mercado brasileiro - equivalente a US$ 550 o metro cúbico do anidro posto em Santos - não há "arbitragem" para exportação aos Estados Unidos, segundo Rodrigues. "Esse valor é muito alto para competir com os preços do etanol no mercado americano", diz o especialista. Assim, entre janeiro e fevereiro deste ano, as vendas a esse país não tiveram crescimento expressivo, praticamente empataram com as do mesmo bimestre de 2007. Foram 74 milhões de litros, ante os 72 milhões. Mas, no total das exportações a todos os países, o crescimento foi de 7,5%, saindo de 544,5 milhões de litros para 585,4 milhões, segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). "Quem compra etanol brasileiro neste momento, mesmo com esses preços altos, é porque precisa do produto. A maior parte das compras coincidirá com o verão no hemisfério norte e a safra brasileira", avalia o especialista.
Os exportadores brasileiros que venderam o produto aos Estados Unidos via Caribe nos níveis atuais estão lucrando mais do que a comercialização no mercado interno, segundo Mário Silveira, analista de gerenciamento de risco da FCSTone. "Com o etanol em Nova Iorque sendo negociado a US$ 2,50 o galão, o produto brasileiro (hidratado) pode competir a US$ 481 (o metro cúbico), o equivalente a R$ 817 com câmbio de R$ 1,70 (na usina sem impostos)". Como no mercado interno esse valor está em torno de R$ 760, a vantagem é de 7,5%.
Perspectivas para o ano
As exportações de verão e os custos altos de produção de etanol de outros países, como os da Europa e dos próprios Estados Unidos, devem contribuir para que as vendas externas de álcool brasileiro atinja 4,2 bilhões de litros, crescimento de 20% ante os 3,5 bilhões de 2007, segundo Rodrigues. "A janela de oportunidade atual se refere a preços de mercado. E a tendência para este ano é que o etanol suba mais nos Estados Unidos, acompanhando os valores da gasolina", diz Rodrigues.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 9)(Fabiana Batista)