Ganha força consumir cafezinho fora de casa
Maior produtor e exportador mundial desde a primeira metade do século XIX, o Brasil começa a cultivar também o hábito de beber café fora de casa. A bebida desempenhou papel importante não só na economia do País, como também nos hábitos dos brasileiros e está presente na língua para denominar a primeira das refeições. Em vez do desjejum ou pequeno-almoço dos portugueses, no Brasil, o dia começa com o café-da-manhã.
Ele também é coadjuvante das refeições seguintes e, em muitas regiões do País, rivaliza com o jantar. Mas é o consumo fora de casa, após o almoço ou num passeio ao shopping, em quiosques ou em casas especializadas, que tem ganhado força nos últimos anos.
“O baiano está descobrindo o hábito de tomar café fora de casa, de cultivar o gosto por cafés especiais” comemora Cida Roussan, que há dez meses abriu uma franquia do Café Lucca, no Shopping Salvador, e já está pensando em partir para a segunda loja.
Desde que voltou de Genebra, onde passou dois anos no final da década de 90, Cida planejava colocar um café nos moldes europeus e apostou todas as suas fichas neste novo nicho de mercado, que está em plena expansão no Brasil. Visitou fazendas e lojas de cafés em São Paulo, pesquisou e mergulhou fundo no novo negócio.
“Tem quem ainda estranhe, mas muitas pessoas já se acostumaram com a xícara não completamente cheia, na medida indicada de sete gramas de pó para 30 ml de água, a proporção ideal para um café especial”, ensina.
Para oferecer a oportunidade de as pessoas apurarem o paladar e também atender a consumidores mais exigentes, a loja vai promover para os clientes, no final do mês, uma prova de café com os 17 tipos diferentes de grãos desta safra, adquiridos em leilões. São cafés certificados, produzidos em diversas regiões do País, inclusive em Barra do Choça, no sudoeste do Estado.
MISTURAS– O cardápio vai muito além do café expresso. O gosto pelos cafés gelados, misturados a whisky ou cachaça, em variações como o Irish coffee (café irlandês), ou adicionado a chocolate, cremes e essências, caiu no gosto do público.
Basta uma caminhada pelos shoppings da cidade para notar as casas ou quiosques sempre cheios. Notebooks na mesa, o empresário Aurélio Leiro e o publicitário Luís Paulo Dias colocam a conversa e os e-mails em dia com xícara de café do lado, numas das mesas do Café Salvador.
“Somos cafenautas”, brinca Leiro, que consome ao menos seis xícaras de café por dia. (MG)