Soja: medida fitossanitária nela
O Programa Vazio Sanitário, que proíbe o cultivo de soja no Estado no período de 15 de agosto a 15 de outubro, foi lançado durante a 10ª edição da Passarela da Soja, realizada na Fazenda Maria Gabriela, distrito de Roda Velha, município de São Desidério (cerca de mil quilômetros de Salvador, no oeste do Estado).
A medida, amparada na Portaria Estadual 623/07, visa minimizar a ocorrência de ferrugem asiática na região, onde, nesta safra, foram localizados cinco focos isolados, detectados em fazendas situadas nos municípios de Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Riachão das Neves e Formosa do Rio Preto.
O Vazio Sanitário, coordenado pela Agência de Defesa Vegetal da Bahia (Adab), faz parte do Programa de Controle de Pragas e Doenças na Cultura da Soja.
Como primeira medida, disse o diretor da Adab, Altair Santana, "estamos buscando a adesão dos produtores e solicitando que realizem o cadastramento, que deve ser feito nos escritórios existentes na região ou pela internet".
SAFRA – O interesse é baixar a fonte de inoculo do fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem asiática, diminuindo a pressão da doença no início da safra normal. Sem adiantar as penalidades, o diretor de defesa vegetal do órgão, Cássio Peixoto, destacou que a portaria está pautada no regulamento de defesa vegetal nº 24.114 do mapa, que prevê sanções àqueles que não se adequarem às determinações fitossanitár ias.
"Todos devem estar engajados, pois, se apenas um produtor não colaborar, toda a região pode ser prejudicada", afirmou o presidente da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Humberto Santa Cruz. Os sojicultores cadastrados e em dia com o programa vão receber um certificado de regularidade que lhes facilitará o acesso a financiamentos bancários para financiamento da produção. "Não queremos mais repetir o desastre da safra 2002/2003, quando a ferrugem gerou uma perda aproximada de 30% da produtividade", salientou o presidente da Fundação Bahia, Amauri Stracci.
CULTIVARES – A soja ocupa 935 mil hectares de cerrado baiano na safra 2007/2008, e o início da colheita está previsto para abril, com perspectiva de produzir 2.524.500 toneladas, de acordo com estimativa da Aiba, Fundação Bahia, Aciagri, IBGE, Adab e EBDA. Segundo dados do presidente da Aprosoja/Bahia, Osvino Ricardi, "em torno de 50% da área é de semente transgênica".
Na Passarela 2008, foram apresentadas novas tendências tecnológicas, cultivares da leguminosa desenvolvidas por pesquisadores da região, e produtos específicos para a cultura. Este ano a Fundação Bahia demonstrou três novas variedades, ainda sem nomes específicos e reconhecidas pela numeração: 1951 e 2017, de ciclo tardio, e a 1087, de ciclo precoce. Delas, a 2017 é geneticamente modificada (RR).
De acordo com o engenheiro agrônomo Pedro Venícius, um dos profissionais que formam a equipe de pesquisadores da Fundação Bahia, este ano foi o pré-lançamento destas três cultivares e, a partir da safra 2009/2010, deverão ter sementes disponíveis no mercado. A pesquisa é uma parceria de 10 anos entre a Embrapa Soja e a Fundação, que já produziu três materiais convencionais: BRS Barreiras; BRS Corisco e a BRS Diferente e três transgênicas: Valiosa RR; Silvânia RR e Baliza RR.
LINHAGENS – Para chegar a uma nova cultivar os trabalhos de seleção começam com 33 mil linhagens, das quais são escolhidas 17, para apenas uma ou duas chegarem ao mercado. "Nossos materiais têm uma produção média de três mil quilos por hectare e são desenvolvidas e testadas para as condições da região", enfatizou Pedro Venícius.
Apesar dos esforços dos pesquisadores, nenhuma cultivar resistente ao fungo da ferrugem asiática foi lançada até o momento.
Além da ferrugem, eles buscam soluções para outro mal que está acometendo a soja baiana nesta safra pela primeira vez: o mofo branco, provocado pelo fungo Sclerotinia Sclerotiorum.
"Nós já tínhamos registrado o mofo branco no feijão e algodão, mas na soja é a primeira vez", diz a engenheira agrônoma da Fundação Bahia, Mônica Martins.