Técnica induz o cacaueiro a resistir mais contra fungo
O cacauicultor tem mais um aliado na luta pelo controle da vassourade-bruxa em suas plantações.
A técnica da Indução de Resistência Sistêmica para o controle da doença há 12 anos vem sendo pesquisada pelo agrônomo e especialista em Fisiologia Vegetal Deraldo Ramos Vieira e consiste na ativação do sistema de defesa da planta, com a aplicação de sacarose, uma molécula simples que atua contra agentes externos presentes no bioma (bióticos) ou abióticos.
Durante seis anos, o pesquisador, que atua na Estação Experimental Sóstenes de Miranda, mantida pela Ceplac em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo baiano, identificou a sacarose e realizou experimentos bem-sucedidos contra o fungo Moniliopthtora perniciosa, causador da doença, em plantas do Centro de Pesquisas do Cacau (Cepec) e em fazendas. Ele utilizou nos experimentos o clone ICS-1, muito suscetível à doença, em áreas com cacaueiros híbridos antigos, com a variedade comum e em clones distribuídos pela Ceplac.
O pesquisador calcula que em 60 dias a técnica será incorporada no manejo integrado para controle da vassoura-de-bruxa, recomendado pela Ceplac, constituído do controle genético (plantio de variedades resistentes/ tolerantes ao fungo); controle químico (aplicação adequada de fungicidas protetores e/ou sistêmicos); controle biológico (aplicação adequada do Trichoderma formulado no Tricovab – em fase de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária, do Ministério da Saúde, no Ibama e no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e do manejo cultural (remoção de vassouras e frutos infectados). Há 20 anos a vassourade-bruxa infectou a lavoura de cacau do sul da Bahia causando graves prejuízos à produtividade e à produção, que caiu de cerca de 400 mil toneladas para menos de 100 mil toneladas. Em conseqüência, levou ao empobrecimento do produtor e a dívida calculada em R$ 1 bilhão, além de desempregar cerca de 250 mil trabalhadores rurais.
TÉCNICA – O pesquisador conseguiu a indução de resistência da planta com uma injeção de sacarose de 2,5 ml/planta no tronco, em dose única. A injeção pode ser realizada com seringa plástica comum, a uma altura de 80 centímetros do solo. Os resultados mostram uma redução de 70% de infecção em vassouras vegetativas e almofada e 80% na infecção de frutos.
Pode-se obter o mesmo efeito com a pulverização foliar de 10 a 15 ml/planta, usando pulverizador costal manual, fazendo três a cinco aplicações/ano, a depender das condições climáticas e epidemiológicas da plantação. A tecnologia da indução com a sacarose tem baixo custo, o que facilita utilização pelo pequeno produtor.