Peixes mortos em ilhas não se contaminaram

20/03/2008

Peixes mortos em ilhas não se contaminaram

 

A mortandade de peixes registrada na região de Bom Jesus dos Passos e arredores da Ilha dos Frades não está relacionada ao acidente com navio de bandeira norueguesa NCC Jubail, no último sábado à noite, no Porto de Aratu, quando parte dos 5 mil litros de óleo da embarcação vazou por um rombo causado durante uma manobra de ré.

A informação foi confirmada pelo diretor de fiscalização e monitoramento do Centro de Recursos Ambientais (CRA), Pedro Ricardo Moura. Ele afirma ainda que as duas manchas de óleo encontradas próximo à Ilha de Maré e ao Porto de Aratu são resultantes das próprias operações por tuár ias.

Ao ser chamado pela Administração Regional (AR) das Ilhas, o CRA esteve no local recolhendo amostras de peixes encontrados mortos e da água do mar. Elas foram enviadas para o laboratório de algas nocivas da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em Santa Catarina. “O resultado das análises confirmam a ausência de óleo ou outras substâncias químicas”, diz Moura. Ele assegura que o a mortandade do pescado foi algo pontual, talvez resultado da mudança de salinidade decorrente das últimas chuvas. Quanto à qualidade da água, Moura garante que nada de anormal foi encontrado na avaliação feita pela Univali.

PREOCUPAÇÃO – A administradora da AR das Ilhas, Ana Lessa, confirma que, na realidade, os peixes estão sendo encontrados mortos há mais de uma semana e, portanto, mesmo antes do resultado já se podia imaginar a inexistência de ligação entre os fatos. “Estamos com medo que aconteça o mesmo que no ano passado, quando pescadores e marisqueiros passaram a Semana Santa com cestas básicas para ter o que comer”, revela.

Apesar de o resultado do laudo descartar contaminação, o presidente da colônia de pescadores da região, Antônio Jorge Teixeira, afirma que a comunidade está apreensiva, pois continua encontrando pequenas quantidades de peixes mortos e ainda enfrenta a queda nas vendas de frutos do mar. “As pessoas estão com medo de consumir produtos contaminados com óleo. Não estamos conseguindo vender quase nada”, lamenta. Em relação a esse problema, o representante do CRA afirma que nenhuma forma de auxílio está prevista até o momento.

MARÉ VERMELHA – Em 2007, a grande mortandade de peixes na Baía de Todos os Santos foi provocada pela proliferação de microalgas que, ao serem ingeridas em grande quantidade pelos peixes, provocaram morte por asfixia.

Esta foi a explicação do CRA para a morte de mais de 50 toneladas de peixes no litoral dos municípios de Santo Amaro, Saubara, Salinas da Margarida, São Francisco do Conde, Madre de Deus e Maragojipe.

A proliferação das microalgas Gymnodynium sanguineum foi provocada por fatores climatológicos em conjunto com o excesso de nutrientes nas águas da baía.

A falta de chuvas no período, além da temperatura elevada, teria impedido a renovação das águas. A descarga de esgotos domésticos teria contribuído para a “fertilização” excessiva.