Filé é apreciado em todo mundo
O bijupirá (ou beijupirá) ocorre em todo o litoral brasileiro, mas é mais comum no Nordeste. Visto de cima, parece um tubarão. Talvez por isso seja conhecido também como caçãode-escamas. Sua denominação no Brasil, segundo o dicionário Houaiss, vem do tupi, mbe’yu (beiju) pi’ra (peixe). A carne branca e macia é considerada uma das mais nobres entre os filés brancos. É conhecido também como beiapirá, beirupirá, biju, biupirá, canado, chancarona, dragonete, parabiju, peixe-rei, pirabeju, pirabiju, pirambiju, pirapiju e caçãode-escamas. Nos Estados Unidos é chamado de cobia.
Conhecido dos pescadores e apreciado na culinária mundial, o bijupirá só começou a ser estudado no Brasil com fins de reprodução em 2003, graças a uma casualidade.
O biólogo da Bahia Pesca, Gitonilson Tosta, observou um peixe diferente misturado a uma leva de robalos capturada para estudo. Um mês depois, o bijupirá havia dobrado de tamanho, o que despertou sua atenção.
Segundo Tosta, o bijupirá não ocorre em cardumes na natureza e por isso não é capturado em grandes volumes.
Mas é de fácil domesticação e adaptação às características de cultivo.
COMPARAÇÃO – O bijupirá ocorre em áreas tropicais e subtropicais e tem Taiwan como principal produtor mundial.
Segundo Reinaldo Santos, diretor da TWB, o peixe é também cultivado no Golfo do México e nas Bahamas e tem um potencial de mercado praticamente ilimitado. “Estudos demonstram que há mercado para mais 20 milhões de toneladas de peixe além das 100 milhões produzidas hoje“, diz Santos, que considera até injusta a comparação do bijupirá com o salmão.
“É como comparar um Gol com uma BMW“, garante.
O bijupirá, frisa, tem cinco vezes mais mercado e custa, pelo menos, o dobro do preço, já que o salmão é cotado a US$ 5 o quilo no atacado, e o bijupirá, no mínimo, seria comercializado a US$ 10 o quilo.
PRODUÇÃO – Há muitos desafios na produção em escala do bijupirá, estudos mais detalhados a fazer, principalmente na composição da ração, ainda em pesquisa. Para Reinaldo Santos, da TWB, o grande desafio foi desenvolver o cultivo do alimento vivo exigido pelas larvas até a fase em que possam consumir alimento inerte.
Para Pedro Fernandes, da Bahia Aqüicultura, somente o tempo vai definir o melhor manejo. “Ainda temos uma grande escola pela frente“, diz. E se declara menos otimista quanto ao potencial da costa brasileira. “Acho que não chegaremos ao grau de aproveitamento da costa como faz o Chile, porque, embora nossa costa seja maior, temos relativamente menos baías e fiordes e não acredito que a produção mar aberto seja viável“, diz.
O desafio dos produtores, e que vem sendo pesquisado por Tosta, é induzir a desova em todos os meses para evitar a descontinuidade da produção e induzir a desova, entre maio e agosto, para que haja continuidade na produção em escala.
Segundo José Roberto Caldas, ou Zé Pescador, diretor da Ong Promar, que já desenvolve projeto de preservação ambiental na praia de Aratuba, em Itaparica, os projetos chegam em boa hora. ”O que a gente vê de positivo é a inserção dos pescadores profissionais na cadeia produtiva. A pesca artesanal na Bahia é atividade estagnada”.