Organização impulsiona fazenda em Conquista
A fazendinha de 15 hectares de seu João Lélis de Oliveira, 56 anos, situada no povoado de Bate Pé, distrito de Vitória da Conquista, a 509 km de Salvador, no sudoeste do Estado, é o típico lugar em que a pessoa, quando chega, se deixa levar pelos pensamentos ao imaginar como deve ser prazeroso morar ali.
Belas plantas, grandes árvores (muitas delas frutíferas), um lago cheio de patos e garças, um rio que dá para se banhar e fazer uma pescaria, terra fértil, onde se plantando tudo dá, e mais uns cavalinhos para passeio (e ajudar no arado) e cachorros, gatos, galinhas, porcos, cabras e gado soltos no terreiro, vivendo em perfeita harmonia.
Tudo isso reuniu condições para que seu João Lélis, juntos com seus três filhos, tivessem a idéia de fazer da propriedade um local próspero. Por isso, foram tomar cursos técnicos de agricultura e aprenderam como trabalhar melhor a terra. Até alguns anos atrás, eles viviam basicamente do gado e de algumas poucas plantações.
No final do ano passado, a fazenda ganhou destaque no Estado ao receber o título de mais organizada da Bahia, concedido pela Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf), que fez visitas à Fazenda Paraíso entre os meses de agosto e setembro de 2007.
A entidade avaliou o sistema de plantio, a divisão dos pastos, a diversificação na lavoura, a criação de animais e a distribuição dos serviços. João Lélis foi até Brasília, no início deste ano, para dar palestras sobre agricultura familiar, em encontro nacional.
“Foi muito boa essa minha ida lá porque, além de eu aprender muito sobre agricultura familiar, tive a oportunidade de falar da minha fazenda, que só tem me dado orgulho”, comemora.
João divide o tempo entre as obrigações da fazenda e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vitória da Conquista e Região, onde atua como orientador.
PRODUÇÃO – Genival Lopes de Oliveira, 30 anos, um dos filhos de seu João, conta que tem muito trabalho na fazenda. “Tem dia que não consigo dar conta de tudo.
Se não fosse a ajuda de meus irmãos e de um sobrinho que tenho aqui, a produção não estaria tão boa”, disse.
No curso de Elevação de Escolaridade do Ensino Fundamental de Jovens e Adultos doMeio Rural, concluído em março de 2006, Genival conta que aprendeu como plantar melancia, milho, andu e abóbora em um mesmo lugar, aproveitando bem o espaço.
O experimento mais atual que está sendo feito na fazenda é o plantio de maracujina: tem 86 pés, e bem produtivos. “Nós botamos a maracujina para ver se dava certo e deu. O bom dela é que não precisa de muito trabalho”, afirmou.
Na fazenda-modelo, plantase feijão, milho, andu, melancia, abóbora, quiabo, maxixe, amendoim, sorgo, mamão, pinha, graviola, manga, acerola, maracujina; limão, banana, laranja, girassol, palma, leucena e mandioca. E o melhor: sem usar uma gota sequer de agrotóxico.
“Aqui temos uma vida boa. É muito trabalho às vezes, mas damos um jeito. O bom é que nunca falta água, a terra é fértil e tenho meus filhos que me ajudam muito”, diz João Lélis.
CAPRINOS – Para este ano, Genival conta que está sendo planejado uma mudança na fazenda: vai deixar mais de lado o gado e investir na caprinocultura, bem como nos cuidados na parte administrativa da propriedade. “A gente não contabilizava nada”.