'Japonês', gado wagyu testa Chapada Diamantina
Em fase de crescimento e diversificação, a pecuária baiana assiste à chegada até mesmo da valorizada raça wagyu, da qual se obtém os cortes genericamente conhecidos como Kobe Beef. Bastante incipiente no Brasil, mesmo em Estados em que a pecuária tem mais peso, a wagyu também já pasta em território baiano.
O pioneirismo coube à Agropecuária Chapadão, braço de pecuária da empresa de hortifrutigranjeiros Bagisa. Em 2004, a empresa comprou dez embriões da Yakult, de Bragança Paulista, empresa que trouxe a raça para o Brasil em 1995. Os embriões geraram cinco fêmeas e um macho, com os quais iniciou-se o projeto de reprodução. Hoje, há 14 machos e 14 fêmeas no projeto da Agropecuária Chapadão, localizada na região da Chapada Diamantina.
"Estamos tentando difundir a raça na Bahia", diz José Ricardo Machado, zootecnista que atua na iniciativa. "A temperatura média aqui é elevada e estamos a 400 metros de altitude. O gado precisa estar sempre em área com sombra e água, mas adaptou-se bem".
Por ora, a idéia da empresa é manter a negociação de embriões. Para o futuro, diz Machado, pretende-se realizar cruzamentos entre as raças wagyu e nelore para abate e comercialização da carne.
A criação de wagyu na Bahia tem especial relevância porque a raça, de origem japonesa, tem baixa resistência ao calor. Sua carne, muito macia, é obtida por meio de um sistema de manejo que inclui alimentação com aveia, cevada, soja, milho e trigo e que cria o marmoreio, camadas de gordura no meio das fibras musculares. No Japão, são adicionados caprichos extras ao trabalho, entre eles a inclusão de cerveja à dieta e massagem.
Segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos da Raça Wagyu (ABCBRW), em 2007, o rebanho brasileiro da raça tem cerca de mil animais puros e pouco mais de 10 mil cabeças com diferentes graus sanguíneos. (RS e PC)