Quebra de 90% da safra deve elevar preço do feijão

29/03/2008

Quebra de 90% da safra deve elevar preço do feijão

Falta de chuva, no início do ano, reduziu a produção na região de Irecê a apenas 12 mil sacas
  

Opreço do feijão do tipo carioquinha deve voltar a subir nos próximos dias em função da perda de 90% na safra de fevereiro e março em Irecê, maior região produtora do estado. Segundo um levantamento feito por técnicos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a falta de chuva registrada em janeiro prejudicou a colheita que não passará de 12 mil toneladas. A produtividade também caiu e ficou em 89kg/ha, contra uma média histórica de 800kg/ha. Em alguns municípios, o preço da saca já está em R$180.

A quebra da safra deve interromper a tendência de queda de preço registrada em fevereiro, quando o produto ficou 10% mais barato do quem janeiro. “Ainda estamos finalizando a pesquisa mensal de março, mas diante deste cenário, muito provavelmente vamos ter mais uma subida de preço”, afirmou Ana Georgina, economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos (Dieese). No último levantamento feito pelo órgão em Salvador, no final de fevereiro, o feijão estava sendo vendido a R$5,80. A alta acumulada nos últimos 12 meses é de 196%.

Como a produção em Irecê depende do regime pluviométrico, pois quase não há irrigação da cultura, o plantio feito em novembro foi comprometido. No início de janeiro, quando os grãos mais precisaram de água, choveu apenas 20mm. A perda só não foi total porque em poucos municípios, como em Gentil do Ouro, choveu 125mm no período. “A pluviosidade foi muito irregular e este ano conseguiu ser pior do que no ano passado”, afirmou Jair Ilson Ferreira, assistente de operações da Conab. A média histórica na região de 80 mil toneladas e em 2006 ficou em apenas 37,7 mil toneladas.

A expectativa agora é com relação à safra da região nordeste do estado, onde o plantio será iniciado na segunda quinzena de abril e a colheita começa no final de julho e início de agosto. Mais próximos do litoral, municípios como Ribeira do Pombal, Adustina e Euclides da Cunha costumam ter um regime de chuva mais regular e as perdas são menores. “Isto deve ajudar a regular o abastecimento do mercado”, afirmou Ferreira.

Consumo supera produção no estado

Apesar de ainda figurar como terceiro maior produtor de feijão do país, a Bahia não consegue suprir a demanda interna e importa o produto. Uma situação que não deve ajudar na queda de preços, pois no cenário nacional, a saca, se já não custa mais R$295, como em janeiro, não sai por menos de R$160, conforme cotação da Bolsinha de Cereais, em São Paulo. “Agora está entrando o produto mineiro e boa parte dele está indo para o Nordeste, mas quando ele acabar, o preço pode voltar a subir”, afirmou José Vieira Filho, representante comercial.

Com o preço do feijão elevado, as famílias de baixa renda são as mais atingidas. Esta classe gasta em média 35% do ganho mensal com alimentação e culturalmente também é a que mais consome feijão. O pior é que nem outros grãos disponíveis no mercado e com propriedades nutricionais semelhantes, como lentilha, ervilha e grão-de-bico, saem mais em conta.