Chapada lidera produção de trigo na Região Nordeste
Estudo feito pelo analista da consultoria Safras & Mercado, Élcio Bento, mostra que no Nordeste brasileiro o trigo acaba chegando a preços mais altos devido a dois fatores: a produção pouco significativa (concetrada em poucos hectares na região da Chapada Diamantina) e a posição geográfica. Como fica longe da Argentina – principal fornecedor – o frete acaba encarecendo o produto. De acordo com Bento, no câmbio atual, o trigo que saísse neste período da Argentina – caso o país vizinho estivesse exportando – chegaria ao Sudeste por R$ 882 a tonelada e ao Nordeste por R$ 890/t.
Com a suspensão pelo governo argentino da exportação de trigo até 21 de junho, o Brasil está buscando o cereal em outros países, principalmente do hemisfério Norte. Por ser do Mercosul, o produto da Argentina tem algumas vantagens, como o frete mais barato e a isenção do Imposto de Importação (II), cuja alíquota é de 10%, e da Taxa de Renovação da Marinha Mercante (TRM), que é de 25% sobre o valor do frete. “O trigo é mais caro, o frete também. A indústria fica em situação difícil“, reclama Christian Saigh, do Sindustrigo.
O superintendente de Gestão de Oferta da Conab, Paulo Morceli, informou que o governo brasileiro isentou de II e da TRM a importação de 1 milhão de toneladas de trigo de terceiros mercados. “Com isso a desvantagem foi eliminada“, frisou. Segundo ele, não há transferência direta da alta de preço da matéria prima para o produto final.
“O custo se compõe de outros fatores. Também as indústrias diminuem a margem de lucro e podem utilizar nos produtos substitutos ou complementos, como a fécula de mandioca“, disse Morceli.
BAHIA– A triticultura na Bahia é adotada apenas na Chapada Diamantina, em sistema de rotação de culturas com a batata – principal lavoura da região. “Como não havia energia elétrica, o custo do cultivo do trigo era muito alto, porque a irrigação era feita com motores a óleo diesel“, explica Marcelo Libório Fraga Lima, coordenador de Estudos e Projetos Agrícolas da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri). Segundo ele, essa situação pode mudar, tanto pela chegada da energia elétrica, quanto pelos preços mais estimulantes.
“O trigo cultivado lá é de excelente qualidade e produtividade“, explica. Ele informa que a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) está testando cultivares de trigo mais adaptadas e rentáveis para a Bahia.
Hercílio de Assis Pereira, vicepresidente da Associação dos Irrigantes do Alto Paraguaçu (BA), conta que a produtividade do trigo na região supera 5 toneladas por hectare. A média brasileira é de 2,1 t/ha. “Se os preços se mantiverem nesse patamar, há possibilidade da área de trigo crescer na região“. Segundo ele, a Chapada tem potencial de 4 ou 5 mil hectares para a triticultura. ( J.S.)