Extremo sul identifica 120 espécies nativas
Com o objetivo de contribuir para a recuperação e preservação da diversidade arbórea da mata atlântica, surgiu, em 2006, o projeto Jacarandá da Bahia, que já distribuiu 30 mil mudas de árvores típicas da região extremo sul do Estado para produtores rurais do município de Medeiros Neto (sede do projeto) e do entorno.
“Estamos fazendo o levantamento florístico e já conseguimos identificar 120 espécies nativas”, comemora a analista ambiental do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Natália Albuquerque, idealizadora do projeto.
Como base para o projeto, foi montado, em parceria com a Agrovila Panorama, em Medeiros Neto, um viveiro para as mudas. A Agrovila surgiu de um projeto de assentamento na década de 80 e possui 150 famílias de agricultores.
O viveiro emprega três funcionários, com custos patrocinados pelo projeto, e é gerido diretamente pela associação, visando à produção de mudas nativas, tanto para a recuperação de áreas degradadas quanto para a viabilização de plantios de espécies arbóreas nativas para aproveitamento sustentável.
POTENCIAL – Segundo Natália Albuquerque, o putumuju, espécie arbórea identificada na região, possui potencial sustentável para a produção de estacas. Um produtor já disponibilizou área para o plantio.
A identificação de espécies arbóreas típicas da região está sendo feita através da pesquisa de campo e da pesquisa histórica, com entrevistas aos moradores mais antigos.
Com isso, foi possível descobrir que o pequizeiro era uma árvore nativa da região, mas que quase não existe mais. “É uma espécie que precisa ser reintroduzida, estamos trabalhando na coleta de matrizes e na produção de mudas”, revelou.
A analista ambiental alerta que é preciso tomar cuidado nos reflorestamentos da região. “Tem reflorestamentos com acácias, leocenas e jamelão, que são espécies exóticas na região. Isso acaba prejudicando espécies nativas”, frisa.