Mecanização avança nas lavouras de cana em SP

01/04/2008

Mecanização avança nas lavouras de cana em SP


 A lavoura canavieira em São Paulo atingiu um índice de mecanização de 40,7% dos 3,8 milhões de hectares cultivados em São Paulo. Segundo levantamento divulgado ontem pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) - o primeiro do setor - o número está em conformidade com o protocolo elaborado pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado em 2007, fornecedora de um selo ambiental às usinas que participam do projeto, que prevê o aumento da mecanização e a diminuição das queimadas, chegando a 70% da área mecanizável até 2010.
O indicador foi criado com o objetivo de informar a evolução do setor e amparar políticas públicas em torno do desemprego que pode ser gerado pelo crescimento das áreas mecanizadas. Se o índice crescer a uma taxa de 1% ao ano, significa que 2,7 mil cortadores de cana ficarão desempregados. No Brasil, o setor sucroalcooleiro emprega em torno de 1 milhão de pessoas. Deste total, 420 mil são cortadores de cana. Em São Paulo são 163 mil envolvidos na colheita.
De acordo com Sérgio Torquato, pesquisador científico do IEA, o estudo é o primeiro do gênero e tem como base os números da safra passada. Ele explica que os números são importantes para o poder público estabelecer parâmetros e tomar atitudes quanto ao impacto que a mecanização pode causar. "Existem propostas para a criação de um fundo específico para financiar a agricultura familiar com a fruticultura. E também para qualificação e treinamento, explica".
A análise explica que o cultivo da cana-de-açúcar no Estado de São Paulo é a atividade que mais absorve mão-de-obra e a que gera maior valor de produção com a maior área agrícola do Estado. Segundo Fábio Borgonhone, gerente de marketing da Case IH, se a mecanização atingir 100% das lavouras serão criados mais de 10 mil postos de trabalho. "As usinas investem constantemente em aperfeiçoamento de mão-de-obra. Isso ocorre também em virtude de vários países europeus não aceitarem cana queimada no processo de corte", explica. A expectativa é de que o setor acabe com a colheita manual até 2017.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 8)(Roberto Tenório)