Bloco rejeita mudanças no rastreamento
O diretor de Saúde e Bem-Estar Animal da Comissão Européia (CE), o luxemburguês Bernard Van Goethem, afirmou ontem, em visita ao país, que o bloco não aceitará alterações abrangentes nas regras do sistema de rastreamento de gado bovino exigido dos exportadores brasileiros. "O sistema de rastreabilidade obedece às especificações [da quarentena] de 90 e 40 dias. Outra coisa fora disso não é aceitável", disse, em referência à necessidade de permanência do gado por 90 dias em Estados habilitados e 40 dias na última fazenda aprovada para a exportação.
Desde o início da "guerra da carne" com a UE, autoridades e pecuaristas brasileiros insistem na urgência de alterar as normas do sistema (Sisbov) para simplificar as exigências. O ministro Reinhold Stephanes apontou as regras como "burocratizadas" e a Comissão de Agricultura da Câmara criou um grupo para discutir sua revisão.
Em sua análise, Van Goethem não poupou Sisbov nem governo. Apontou "implementação insuficiente e sérias deficiências de controle dos animais", além da necessidade de "melhor entendimento", "elevação da confiança" e "aumento da credibilidade" do Sisbov. E relembrou: "As sérias deficiências encontradas justificariam até a proibição total [das compras], mas a Comunidade decidiu adotar as listas de fazendas habilitadas".
Em seguida, o dirigente europeu disse que o modelo é mais brando do que o da Europa: "A rastreabilidade que exigimos dos brasileiros é [de quarentena] de 90 dias, porque a carne desossada e maturada requer só 90 dias. Na Europa, usamos para todos os produtos, inclusive queijo e leite. Aqui, só falamos de carne, e não em estender a rastreabilidade como é executada na União Européia".
Em visita ao país para supervisionar o inédito trabalho de treinamento de 200 fiscais federais e estaduais para inspecionar as fazendas que serão autorizadas a vender à UE, Van Goethem negou a influência comercial para o embargo e reafirmou o caráter sanitário das exigências européias.
"Há um pequeno mal-entendido. Temos rastreabilidade do nascimento ao abate do boi que foi implementado por causa da BSE [doença da vaca louca]. É usada para todos os produtos para garantir a segurança alimentar, não só contra doenças mas para resíduos", disse. "Estou aqui para demonstrar a importância que a Comunidade Européia dá ao programa de treinamento. O serviço europeu é o melhor do mundo e vamos transmitir isso aos brasileiros".
O diretor da CE também descartou a ocorrência de escalada de preços da carne na Europa em razão da escassez interna do produto. "Não acho que o preço da carne na Europa tenha mudado muito nos últimos dias". Mas analistas do setor têm apontado elevação substancial nas cotações da carne consumida pelos europeus. (MZ)