Chuva prejudica colheita de grãos no oeste baiano
Miriam Hermes/ Sucursal Barreiras
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As chuvas que vêm caindo no oeste da Bahia nas últimas duas semanas já atrapalham a colheita de grãos no cerrado. Nas fazendas da região as colheitadeiras são manejadas para aproveitar ao máximo as horas de sol e colher os 1.700.696 hectares plantados principalmente com soja, milho e algodão.
A atenção do setor está voltada para a previsão do tempo que indica sol a partir da próxima quinta-feira, quando as chuvas devem cessar ou pelo menos diminuir de intensidade, possibilitando que o ritmo volte ao normal e a produção seja retirada das lavouras. A primeira cultura a ser colhida é a soja e a expectativa é que até meados de maio os grãos da oleaginosa, que devem somar 2.524.500 toneladas, já estejam nas indústrias ou nos armazéns.
A última estimativa da safra 2007/2008 para a região é de uma produção total de 4.877.525 de toneladas de grãos e fibras, cujo número é mantido, pois ainda não há uma análise sistematizada sobre as perdas por causa das chuvas, que atrasam o cronograma de trabalho dos produtores.
Segundo o diretor do Sindicato dos Produtores Rurais do município de Luís Eduardo Magalhães, Franco Bosa, a interferência das chuvas nos últimos 15 dias não se restringe ao atolamento das pesadas máquinas no solo encharcado, mas também na qualidade dos grãos. “As indústrias estabelecem preços menores conforme o seu grau de umidade”, diz ele, afirmando que se os grãos são colhidos úmidos “a máquina não consegue abrir as vagens e há perdas consideráveis”.
As perdas já contabilizadas e incluídas na projeção de produção, estão na cultura do milho e decorrem da falta de chuvas no início da safra entre outubro e novembro do ano passado, o que atrasou o plantio e reduziu a produtividade de 121 sacas/hectare na safra 2006/2007, para 100 sacas na safra atual.
Já no algodão a água da chuva e os respingos de terra, afetam principalmente os capulhos localizados na parte baixa das plantas, afetando a qualidade da fibra. Em algumas propriedades se estima que as perdas chegam a 20 arrobas por hectare, porém, não há dados oficiais.
Quanto aos preços, soja, milho e algodão vêm em curva descendente de janeiro ao início de abril deste ano. Porém, de acordo com o diretor da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Walter Horita, esta redução é normal e é um reflexo da safra que começa a ser colhida também em outros Estados.
Em comparação com anos anteriores, ressalta Horita, que é presidente da Associação Baiana de Algodão (Abapa), a fibra está com preços melhores que ano passado, quando chegou a R$ 37 a arroba da pluma. Em janeiro deste ano a arroba foi vendida a R$ 44,50 e neste início de abril, está oscilando entre R$ 41 a R$ 42. Entretanto, destaca “o preço mínimo estabelecido é R$ 45 a arroba, que é um valor mais compatível com os custos de produção”, avalia.