Governo Bahia debate renegociação das dívidas da lavoura cacaueira

09/04/2008

Governo Bahia debate renegociação das dívidas da lavoura cacaueira

 

O Governo Federal e o Governo da Bahia estão discutindo alternativas para equacionar as dívidas dos produtores de cacau, o que significa viabilizar a implantação do Plano de Aceleração do Desenvolvimento do Agronegócio na Região Cacaueira do Bahia – Pac do Cacau. O secretário de Agricultura da Bahia, Geraldo Simões, se reúne nesta quarta-feira (9) em Brasília com dirigentes da Casa Civil e dos ministérios da Agricultura, Fazenda e Planejamento.
Além da questão endividamento e a liberação de novos créditos para investimentos na recuperação da lavoura cacaueira, o plano inclui projetos de diversificação, apoio à agroindústria e ao associativismo e a realização de obras de infra-estrutura.  “A renegociação das dívidas se dará em condições que permitam ao produtor quitar seus débitos e obter novos financiamentos”, afirma Simões, que defende um tratamento diferenciado para a lavoura cacaueira, vitimada por uma crise que já dura duas décadas e que teve impacto profundo na economia regional.
Segundo Simões, o cacau é viável quando associado a outros cultivos, tais como a seringueira, dendê, pupunha e frutas. O secretário lembrou que o plano também contemplará os pequenos e médios produtores, que representam 90% das áreas rurais no Sul da Bahia.
Será discutida hoje (9) em Brasília a renegociação de dívidas referentes a 1ª., 2ª., 3ª. e 4ª. etapas do Programa de Recuperação da Lavoura Cacaueira,  aquisição de títulos do Tesouro Nacional e financiamentos junto ao Desenbahia, totalizando R$ 470 milhões. “O Governo Federal e o Governo do Estado estão buscando a melhor alternativa para o equacionamento desses débitos, levando em conta a capacidade de pagamento do produtor e a necessidade de retomar o cultivo de cacau com alta produtividade e resistente a doenças”, ressaltou o secretário.

Industrialização de cacau

“O PAC do Cacau vai significar uma mudança de mentalidade, já que pretendemos abranger toda a cadeia produtiva do cacau, fazendo com que a região deixe de ser apenas produtora de matéria-prima e passe a industrializar o produto”, afirma. O mercado de amêndoas movimenta R$ 300 milhões de reais por ano no Sul da Bahia, ao passo que o mercado de chocolate no Brasil atinge R$ 4 bilhões por ano. “Podemos absorver uma parte desse mercado, através da implantação de fábricas de chocolate com tecnologia desenvolvida pela Ceplac, investindo num produto com certificado de origem, já que além de gerar emprego e renda o cacau contribui para preservar a Mata Atlântica”, ressalta o secretário.
Na terça-feira, durante reunião de governadores do Norte/Nordeste com o presidente Lula para tratar da questão das enchentes, o governador Jaques Wagner teve um encontro reservado com o presidente. Entre os assuntos abordados, estava o lançamento do PAC do Cacau. “Desde que ocupava o cargo de ministro, Jaques Wagner vem fazendo gestões para a implantação do plano e apresentando sugestões que ampliem seus benefícios para o Sul da Bahia”, disse Geraldo Simões, afirmando que “o empenho do governador é fundamental na viabilização do PAC do Cacau e o presidente Lula reconhece a importância desse plano para o Sul da Bahia”.