Commodities Agrícolas
Oferta gorda
A promessa de uma oferta maior de café no mercado internacional, graças ao bom desempenho das lavouras brasileiras, provocou uma nova queda ontem nos contratos futuros do grão - desta vez, a maior em mais de três semanas. Líder mundial de produção, o Brasil deverá colher nesta safra 53,9 milhões de sacas de 60 quilos de café, segundo previsões da Mercon Coffee, de Nova Jersey. É pouco mais que a última estimativa do governo brasileiro, de 44,2 milhões de sacas, divulgada em 8 de abril. Os números mexeram com o mercado e os papéis com vencimento em julho recuaram 475 pontos em Nova York, encerrando o dia a 134,25 centavos de dólar por libra-peso. No mercado doméstico, a saca ficou em R$ 251,94, com queda de 4,95%, segundo o índice Cepea/Esalq.
Inflação na África
A cotação do cacau encerrou a quinta-feira em alta, estimulada pelos sinais de alta dos preços dos alimentos na Costa do Marfim, o maior produtor mundial da commodity, o que pode desaquecer as exportações. O aumento da procura dos investidores por contratos de cacau como forma de proteção contra a inflação também contribuiu para a alta, segundo analistas ouvidos pela Bloomberg. Em Londres, os contratos de cacau com vencimento em julho subiram 28 libras esterlinas, para 1.405 libras por tonelada. Em Nova York, os papéis que vencem também em julho avançaram US$ 87, para US$ 2.491 por tonelada. Em Ilhéus e Itabuna, a arroba encerrou negociada, na média, por R$ 63, sem variação em comparação com a quarta-feira, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.
Flórida pressiona
A elevação das projeções de produção de suco de laranja na safra atual na Flórida, principal produtor dos EUA e segundo maior do mundo (depois do Brasil), derrubou pelo segundo pregão consecutivo os preços da commodity no mercado internacional. Produtores do Estado deverão colher cerca de 1,5 milhão a mais de caixas na safra que se estende até junho, se comparada com a última estimativa de abril, chegando a 168,5 milhões, segundo informou ontem o USDA. Na bolsa de Nova York, os contratos para entrega em julho encerraram com queda de 235 pontos, para US$ 1,1405 por libra-peso. No mercado interno, a caixa de 40,8 quilos da laranja ficou em R$ 8,33, de acordo com o levantamento do Cepea/Esalq. Nos últimos cinco dias, o preço da caixa acumula baixa de 0,6%.
Estímulo chinês
O algodão, ao lado do alumínio e da platina, deverá figurar entre as commodities com maior alta de preço nos próximos meses, de acordo com projeção apresentada pelo Barclays Capital. No geral, as commodities mantêm-se em um cenário "muito positivo". Influenciados pela ainda forte demanda da China e outras economias emergentes, os preços apontam para o alto, disse à Bloomberg Kevin Norrish, diretor de pesquisas de commodities do Barclays Capital. Na quinta-feira, os contratos de algodão negociados em Chicago que vencem em julho subiram 89 pontos, para 78,13 centavos de dólar por libra-peso. No mercado doméstico, a pluma encerrou negociada por R$ 1,3814 a libra-peso, um recuo de 0,56%, de acordo com o índice Cepea/Esalq.