Preços agrícolas seguem em alta

14/04/2008

Preços agrícolas seguem em alta


O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR) subiu 2,95% na primeira quadrissemana de abril de 2008, segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA). Os produtos de origem vegetal e animal avançaram 3,93% e 0,53%, respectivamente. 

No período, as maiores altas foram do tomate para mesa (131,87%), batata (54,92%) e leite tipo C (8,58%), e as baixas mais expressivas foram as do amendoim, ovos e café, com recuos, respectivamente, de 14,92%, 10,80% e 9,16%. 

A preocupação com o aumento do preço dos alimentos acentua-se. A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês) afirmou que os preços permanecerão em elevação, mesmo em um cenário de alta da produção. A projeção foi feita na Índia pelo diretor-geral da FAO, Jacques Diouf. 

Segundo estimativa apresentada pela FAO na sexta-feira, a produção mundial de cereais atingirá em 2008 o recorde de 2,2 bilhões de toneladas, volume 2,6% superior ao do ano passado, que já era recorde. A razão da alta de preços, mesmo com a produção crescente, segundo a entidade, é a queda dos estoques. 

Nas principais commodities agrícolas, a tendência é de permanência dos preços em patamares elevados em 2008, segundo Fabio Silveira, sócio-diretor da RC Consultores. O preço médio da soja, por exemplo, deverá crescer 38% neste ano em comparação com a média de 2007. 

Não será mantido pico atingido no primeiro trimestre, avalia Silveira, em particular porque as quedas recentes das commodities afastarão os investidores especulativos desse mercado, além da redução do consumo motivada pela desaceleração da economia americana. A queda do preço médio da soja só deverá ser verificada em 2009, segundo a projeção. 

No mercado interno, os preços agrícolas no atacado em abril acumulam alta de 32,5% em comparação com abril de 2007 e baixa de 2,2% se comparados com março, segundo o Índice RC. Na semana passada, os preços agrícolas no atacado caíram 0,1%, segundo o indicador. Laranja, batata e feijão, com quedas de 14,6%, 12,5% e 10,2%, respectivamente, foram as baixas mais expressivas. Tomate, arroz e frango, que subiram, respectivamente, 36,4%, 9% e 7,3%, foram as maiores altas, segundo o indicador. (Patrick Cruz)