Brasil insiste na eliminação dos subsídios

15/04/2008

Brasil insiste na eliminação dos subsídios
 
  

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reiterou ontem, durante a reunião do Comitê Conjunto de Desenvolvimento do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial (Bird) em Washington, o pedido do Brasil para que as nações desenvolvidas eliminem os subsídios à produção agrícola. Ele avalia que é imperativo avançar além da assistência tradicional na área de alimentos para um foco no  desenvolvimento agrícola. Em discurso no Comitê de Desenvolvimento do Banco Mundial, Mantega alertou que muitos pequenos agricultores estão sendo empurrados para fora do negócio por causa de distorções criadas pelos subsídios agrícolas.

Mantega disse que a crise financeira elevou a urgência da conclusão de um acordo  ambicioso e favorável ao desenvolvimento na Rodada de Doha, que conduza à eliminação  de subsídios agrícolas e tarifas nos países desenvolvidos. Com relação aos biocombustíveis, o ministro observou que a produção de biocombustível a partir da cana-de-açúcar pode se mostrar como uma tecnologia promissora em diversos países em desenvolvimento, e deveria ser apoiada como uma fonte estratégica de energia limpa para gerar benefícios ambientais, sociais e econômicos. “Pesquisa recente corrobora o caso  contra mercados altamente protegidos e subsidiados para biocombustíveis no mundo  desenvolvido”, defendeu o ministro.

Biocombustíveis - Uma séria advertência contra a produção de biocombustíveis nos Estados Unidos e na Europa, e seus efeitos sobre os preços dos alimentos no mundo marcou o encerramento da Reunião de Primavera do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), ontem. “Nossos estudos mostram claramente que alguns dos biocombustíveis são parte do quebra-cabeça (da alta dos preços  de alimentos)”, disse o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick.
 
“Alguns países querem ter programas de subsídios para biocombustíveis, porque decidem que são importantes para sua segurança energética _ eu espero que esses países prestem muita atenção quando nós tivermos situações de emergência no Banco Mundial de alimentos, como está ocorrendo agora.” Zoellick fez questão de ressaltar as diferenças entre o etanol brasileiro e os biocombustíveis de milho e canola, por exemplo. “A maioria dos estudos mostra que o biocombustível de cana do Brasil tem eficiências adicionais em termos de emissões de gases poluentes”, disse ele. (AE)