Lula defende debate sobre biocombustíveis
Presidente acha necessário discutir as barreiras ao comércio do produto, como supostos riscos ambientais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem que seja aberto um debate “sem idéias preconcebidas” sobre os “supostos riscos” dos biocombustíveis. “É necessário discutir as barreiras ao comércio de biocombustíveis que surgem. Como supostos riscos ambientais, sociais e alimentícios”, afirmou Lula em discurso sobre formas para enfrentar os principais desafios mundiais. Ele acrescentou que este debate é “necessário e urgente, mas tem que ser feito com base em informações e não em idéias preconcebidas”.
O discurso de Lula, em uma sala do Parlamento holandês no último dia de sua visita de Estado a este país, aconteceu em meio a crescentes discussões sobre quais são os efeitos dos biocombustíveis no preço mundial dos alimentos e suas conseqüências nas emissões de efeito estufa.
Lula lembrou que a cana-de-açúcar da onde se obtém o bioetanol “ocupa 1% das terras cultiváveis” do país, por isto não representa um impacto negativo para a alimentação dos brasileiros. Além disso, destacou que a expansão deste cultivo ocorre na região centro-sul do Brasil, longe, portanto, da floresta amazônica.
Lula declarou que está trabalhando internacionalmente por um sistema que busca a sustentabilidade ambiental e social para o bioetanol e o biodiesel, “pois se deseja garantir o desenvolvimento em harmonia com a natureza e em benefício da população que mais necessita”.
Em sua defesa dos biocombustíveis, Lula disse que a atual degradação ambiental é culpa principalmente dos combustíveis fósseis. Por isso no Brasil a substituição parcial da gasolina pelo etanol “evitou a emissão de 644 milhões de toneladas de CO2 nos últimos 30 anos e gerou cerca de seis milhões de postos de trabalho, incluídas as regiões mais pobres”.
Lula disse que deseja exportar este modelo: “O Brasil deseja repetir estes resultados em países da América Latina, da África e da Ásia sempre que as realidades e as necessidades locais recomendarem”. Em outras questões, destacou o momento doce que atravessa a economia do Brasil, que deixou de ser um país devedor e passou à condição de credor internacional.