Análise de DNA conduz cruzamento
Quanto vale o pelo da cauda de um bovino? Para alguns pecuaristas, talvez não tenha importância alguma, mas para aqueles que estão mais "antenados" às novas tecnologias, muito. O pelo da cauda de um boi ou de uma vaca pode antecipar a tomada de decisões para o cruzamento dos animais, visando a melhoria genética, e também a maior eficiência do rebanho de leite e de corte.
É com o simples pelo da cauda de um animal que a Merial consegue detectar as características economicamente importantes do rebanho. Por meio do pelo, a empresa tira as informações do DNA do boi, com marcadores moleculares.
O pecuarista Amauri Gouveia, de Avaré (SP), utilizou os marcadores, analisando 60 animais de elite da raça nelore. "O retorno financeiro do investimento vem em uma geração", acredita. A análise do rebanho de Gouveia detectou três touros - de um total de 10 machos - com a maior quantidade de características economicamente importantes para a produção de carne, entre elas, a maciez e a cobertura de gordura. Agora, ele vai ver se essas características são repassadas às progêneses.
Henry Berger, gerente da Igenity da Merial, explica que o programa da empresa consiste em ir à fazenda, coletar as informações e ajudar o pecuarista na tomada das decisões. Segundo ele, os dados fornecidos podem ajudá-lo a escolher, por exemplo, qual o animal que não vale a pena investir para a engorda e, portanto, descartá-lo ou deixá-lo no pasto ao invés de confinar. Por outro lado, é possível escolher aquele que tem as melhores características econômicas para a raça e cruzá-lo com outro também com grande potencial, buscando melhorar o resultado do rebanho.
Berger garante que atualmente a empresa já conseguiu detectar, através da análise do DNA, a maior parte das características economicamente importantes tanto para animais de corte quanto para de corte. Ele acrescenta que esta análise - que custa R$ 80 por cabeça - poderá evoluir, em um futuro próximo, para o uso das informações no manejo de doenças, identificando a dosagem dos medicamentos adequadas ao animal, por exemplo. Hoje, é possível apenas saber quais são mais susceptíveis.
Foram quatro anos de estudos internacionais do sequenciamento genético bovino, com investimento de US$ 2 bilhões. Para a "tropicalização" da tecnologia, a Merial no Brasil investiu US$ 50 milhões, com pesquisas validadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e pela Universidade de São Paulo (USP), que duraram dois anos e meio. A empresa havia projetado até cinco anos para iniciar a comercialização mas, com os resultados da validação, reduziu o prazo. E, neste mês, lança um novo painel, de eficiência alimentar - que mostra quanto o animal converte em quilos o que comeu.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 2)(Neila Baldi)