Estado quer elevar em 20 vezes a produção
Apesar de a Bahia ocupar hoje o primeiro lugar no ranking nacional como produtor de mamona – uma das oleaginosas utilizadas na fabricação do biodiesel –, a produção atual ainda é considerada baixa. Segundo o chefe geral da Embrapa Algodão, Napoleão Beltrão, atualmente o estado produz cerca de 700km da matéria-prima por cada hectare plantado, mas o potencial de produtividade é 20 vezes maior, podendo chegar até 15 mil quilos por hectare. “A Bahia tem muita área favorável para o cultivo da mamona e tem muita gente querendo produzir. O que falta é sincronizar os elos da cadeia produtiva”, diz, ressaltando que, apesar de baixa, a produção da oleaginosa na Bahia acompanha a média mundial.
Atualmente, segundo Beltrão, a produção nacional é de 100 mil toneladas de mamona, sendo que a Bahia é responsável por quase 83% deste total. “Hoje nós temos cerca de 140 mil hectares plantados no estado. Sendo assim, a nossa expectativa é colher 90 mil toneladas do produto na próxima safra, que deve ocorrer entre outubro e novembro, a depender das chuvas”, declara. Para ele, além da inclusão social, o aumento da produção da mamona vai trazer uma série de benefícios não só para o estado, como reduzir as importações brasileiras de biodiesel, além de aumentar as vantagens socio econômicas que a cultura da matéria-prima propicia. “Ela apresenta teor de óleo acima das demais e cada hectare cultivado com mamona absorve dez toneladas de gás carbônico”, ressalta, informando que, na Bahia, cerca de 200 municípios têm condições propícias para produzir a oleaginosa.
O secretário estadual de Agricultura, Geraldo Simões, concorda com Beltrão e afirma que a produção baiana de mamona ainda é pequena. Para ele, um dos gargalos da produção do estado de biodiesel está sendo criado principalmente pelo baixo volume de recursos destinados à agricultura familiar. Segundo ele, foram injetados apenas R$400 milhões no ano passado, quando o volume ideal teria que ser, no mínimo, três vezes maior, ou chegar a R$1,2 bilhão, para que o ciclo social de produção do biodiesel se completasse. “A mamona é plantada pelos pobres. É como se fosse ouro para pequenos agricultores. E, quando colhida, chega a ser guardada em baixo da cama”, brinca Simões, informando que a Bahia conta hoje com cerca de 50 mil produtores de mamona, a maioria situado na região de Irecê.
Congresso - Na tentativa de levantar alternativas para melhorar a produção da mamona na Bahia, será realizado o 3º Congresso Brasileiro de Mamona, que acontece no período de 4 a 7 de agosto, no Bahia Othon Palace Hotel. O evento, que vai reunir especialistas nacionais e internacionais, abordará a temática Energia e ricinoquímica, e terá como principal objetivo apresentar os avanços tecnológicos nestas áreas, bem como, incentivar o desenvolvimento do agronegócio da mamona no Brasil.