Brasil rebate críticas aos biocombustíveis
O Brasil rebateu nesta quarta-feira, em Bruxelas, as críticas que equiparam a produção dos biocombustíveis a um crime contra a humanidade, ao afirmar que o estímulo a estas fontes de energia e a luta contra a fome são compatíveis. "Podemos conciliar políticas de produção e distribuição de alimentos com políticas que permitem respeitar o meio ambiente e contribuir para que a humanidade tenha acesso a energias renováveis e mais limpas", disse o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias.
Ananias, que assinou um memorando com o comissário europeu de Assuntos Sociais, Vladimir Spidla, para estimular o diálogo bilateral nesta área, explicou que o Brasil tem "características muito especiais" que permitem conciliar a produção de alimentos e de biocombustíveis.
"O Brasil é um país muito grande, um país que tem muitas terras férteis, que tem biodiversidade e recursos hídricos. É um país que nos permite produzir alimentos em abundância", disse.
Dessa forma, o ministro rebateu as declarações do relator especial da Nações Unidas para o direito à alimentação, o suíço Jean Ziegler, que, na segunda-feira, afirmou que "a produção de biocombustíveis é hoje em dia um crime contra a humanidade".
Os críticos dessa tecnologia argumentam que o uso de terras férteis para cultivos destinados a fabricar biocombustíveis reduz as superfícies destinadas aos alimentos e contribui para o aumento dos preços dos mantimentos.
Ziegler pediu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que mude suas políticas sobre os subsídios agrícolas e deixe de apoiar apenas programas destinados à redução da dívida. Segundo ele, a agricultura também deve ser subsidiada em regiões onde se garanta a sobrevivência das populações locais.
Ziegler também advertiu que o mundo se dirige para "um período muito longo de distúrbios e outros tipos de conflitos derivados da escassez de alimentos e aumentos de preços".
Nesse contexto, a Comissão Européia vai propor a supressão das subvenções para os cultivos destinados à produção de biocombustíveis, em meio à crescente polêmica causada pelo desenvolvimento dessa fonte de energia para lutar contra a mudança climática.
Vários outros dirigentes europeus já manifestaram preocupação com a utilização da produção agrícola com fins energéticos em detrimento dos alimentos, num contexto de alta dos preços das matérias-primas.
"A produção agrícola com fins alimentares deve ser prioritária", afirmou o ministro francês da Agricultura, Michel Barnier.
O Brasil é o maior exportador mundial de etanol produzido a partir da cana-de-açúcar. O volume da produção do biocombustível só está atrás dos Estados Unidos, com 22 e 28 bilhões de litros em 2007, respectivamente. Os americanos, no entanto, produzem o combustível a partir do milho, o que concorre com a alimentação..
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 7)(AFP)