Broca gigante assombra os canaviais
Em setembro do ano passado, uma equipe de "rouging" (especialistas em controle fitossanitário) detectou em Limeira (SP) uma larva diferente no meio dos canaviais. Após uma vistoria mais detalhada, a equipe percebeu que o mesmo tipo de larva estava disseminado em vários canaviais da região.
Alertado, o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) decidiu fazer uma análise mais detalhada do material detectado nesses canaviais e o resultado mostrou-se preocupante. "Trata-se da broca gigante [Telchin licus], uma praga identificada pela primeira vez em canaviais em 1927 na região Nordeste do país", afirma Tadeu Andrade, diretor do CTC.
Como era um caso isolado no Nordeste, a incidência da broca gigante não preocupava as usinas da região centro-sul do país. Mas, com a infestação na região de Limeira, o CTC alerta o que o problema será bem maior para o setor.
"Não sabemos ainda como fazer a erradicação", diz Andrade. As usinas do Nordeste aprenderam a conviver com a broca gigante, e os prejuízos anuais somam R$ 35 milhões. "Não há como erradicar. Então, equipes de trabalhadores retiram manualmente, uma a uma, essas larvas dos canaviais."
O ciclo da broca gigante é longo, de mais de 120 dias. Antes de morrer, a mariposa espalha seus ovos nos canaviais - cada fêmea coloca de 50 a 100 unidades. Essas larvas perfuram a cana e matam a planta.
Em São Paulo, o dano já está estimado em R$ 400 milhões, se o problema estiver localizado somente na região de Limeira. O CTC acredita que a broca gigante, que vive "hospedada" em viveiros, chegou ao Estado em caminhões de plantas ornamentais. "Ainda não conseguimos fechar o ciclo biológico da praga para combatermos a infestação", afirma.
Em janeiro deste ano, o CTC comunicou oficialmente a Secretaria de Agricultura de São Paulo sobre a proliferação da broca gigante na região de Limeira. Mas ainda não obteve resposta. Procurada pelo Valor, a Secretaria de Agricultura confirmou o recebimento do documento enviado pelo CTC. Mas informou que o controle de produção de mudas e o cadastro de viveiros de cana não são de competência da secretaria, como no caso do citros. Além disso, a broca gigante não é considerada praga quarentenária. Portanto, esse controle de mudas, assim como qualquer alteração na legislação sobre o assunto, passa necessariamente por um posicionamento do Ministério da Agricultura. (MS)