Estado ganhará dez novas minifábricas de castanha

18/04/2008

Estado ganhará dez novas minifábricas de castanha

Das unidades previstas, três já estão em operação e outras quatro serão inauguradas ainda este ano
  

O caju é uma das frutas mais populares entre os nordestinos, por ter se adaptado ao solo do semi-árido e ser abundante na região. Um quilo de castanha in natura, que costuma ser vendido a atravessadores por no máximo R$1, chega a R$20 após processo de beneficiamento. De olho nesse mercado, o Projeto de Minifábricas de Castanha de Caju, bancado pela Fundação Banco do Brasil (FBB), destinou cerca de R$9 milhões para a implantação de 50 minifábricas no Nordeste, sendo dez plantas na Bahia, além de cinco centrais de beneficiamento na região. O território baiano, que produz por ano cerca de 20 mil toneladas de caju, ainda aguarda a instalação de outros sete empreendimentos, pois três já estão em operação nos municípios de Cícero Dantas, Banzaê e Olindina, todos na região de Ribeira do Pombal. As obras em curso contemplam também outros estados, como Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte e Maranhão.

Quando a FBB decidiu priorizar, para seus investimentos sociais, projetos que gerassem emprego e renda, fez um diagnóstico e constatou a existência de 400 minifábricas de beneficiamento de caju no Nordeste, atuando de forma artesanal e rudimentar. Assim surgiu o projeto das minifábricas, que tem como meta implantar dez unidades em cada estado, mais uma central de beneficiamento. As três da Bahia contemplam 366 famílias de pequenos agricultores associadas à Cooperacaju.

Segundo o presidente da FBB, Jacques Pena, a média de investimento é de R$250 mil por unidade e R$1 mil por central. Das dez previstas para o estado, mais três ou quatro serão inauguradas ainda este ano. A central, que provavelmente será instalada em Ribeira do Pombal, sede da microrregião, será construída em 2009. “O projeto foi concebido dentro do contexto do Fome Zero e por isso definimos como prioridade beneficiar a agricultura familiar”, frisou Pena, ressaltando que a idéia é promover ações efetivas de geração de emprego e renda e não apenas medidas assistencialistas.

A intenção, explicou Jacques Pena, que inaugurou a unidade de Cícero Dantas ao lado do governador Jaques Wagner, é ajudar a modernizar, em parceria com o Sebrae e o governo estadual, um segmento forte para a agricultura familiar, incluindo capacitação, assistência técnica, instalações, maquinário e consultoria para comercialização. Ele esclarece que o governo estadual não investe recursos financeiros no projeto, mas contribui com assistência técnica e com a distribuição de mudas de cajueiro anão, para substituir os “cajueiros gigantes”.

Comemorando a inauguração das unidades, o presidente da Cooperacaju, José Roberto de Souza, diz que os associados só agora começam a acreditar na capacidade dos agricultores familiares e a “sonhar com dias melhores”. A meta é comercializar os produtos, com maior valor agregado, tanto nos municípios da região quanto em supermercados e outros pontos-de-venda da capital. E, quem sabe, até ganhar o mercado externo. Ele acredita que o número de famílias cooperadas chegará a mil até o final do ano, com rendimento médio equivalente a um salário mínimo. Cada fábrica tem capacidade para processar até 40 toneladas de amêndoas por ano.