Simões: “MST fez ação descabida”

18/04/2008

Simões: “MST fez ação descabida”

 

MÁRIO BITTENCOURT E BIAGGIO TALENTO
conquista@grupoatarde.com.br
btalento@grupoatarde.com.br

 

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) marcou, na Bahia, o dia do massacre de Eldorado dos Carajás, que completou ontem 12 anos, interditando a rodovia BA-263, entre os municípios de Itambé e Vitória da Conquista, sudoeste do Estado. A entidade estava mobilizada para ocupar (dentro do Abril Vermelho) a oitava propriedade rural na Bahia entre a noite de ontem e a madrugada de hoje. O secretário da Agricultura do Estado, Geraldo Simões, qualificou de “descabida” uma das invasões, a da Estação Experimental Manoel Machado da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (Ebda), situada em Itambé.

O trecho da rodovia BA-263 bloqueado por cerca de 50 militantes do MST fica em frente à estação.O protesto gerou um engarrafamento de, aproximadamente, três quilômetros nos dois sentidos da estrada, que ficou interditada até o fim da manhã, quando a pista foi liberada parcialmente.Ao ver a equipe de reportagem, um motorista perguntou: “A TARDE, cadê meu direito de ir e vir?”.

Patrulheiros rodoviários estaduais passaram pelo local, mas não interferiram, pois avaliaram que o protesto, apesar do transtorno causado no trânsito, estava sendo pacífico. “Esperamos que continuem assim e não seja preciso chamar reforço”, disse o sargento da Polícia Rodoviária, Jackson Couto, que reclamou de ninguém do movimento ter conversado com ele.

Os integrantes do movimento disseram que estão na semana de luta. Na terça-feira passada também houve protestos e fechamento da BA-263. O diretor do MST no sudoeste, Rosalvo José dos Santos, informou que a ação tem dois objetivos. “Queremos lembrar a sociedade do massacre de Eldorado dos Carajás, quando 19 integrantes do movimento foram mortos pela PolíciaMilitar do Pará, em 17 de abril de 1996, e pressionar os governos estadual e federal para acelerarem o processo de desapropriação de terras para reforma agrária”, disse o dirigente. Segundo Rosalvo, na região sudoeste não estão previstas mais invasões de terra.

Há um mês 30 famílias estão acampadas nas proximidades da estação da Ebda. Os integrantes do movimento já foram retirados duas vezes, por meio de mandado de reintegração de posse, mas retornaram a ocupar o local anteontem.O chefe da estação, André Luiz Ferraz Santos, disse que a fazenda é para criação e aperfeiçoamento da raça de gado nelore.“Na fazenda temos mais de 400 cabeças de gado de raça pura que estão sendo trabalhadas geneticamente para a melhoria do nelore na região. É uma fazenda produtiva”, disse.

Sem entender– Já o secretário Geraldo Simões foi mais incisivo, alegando não ver o menor sentido do MST ocupar um local como a área da Ebda. “Nós temos lá o melhor plantel da raça nelore que desenvolvemos para colocar as informações genéticas para todos, inclusive os assentamentos do MST”, declarou, lembrando que a fazenda é pequena, conta com 300 hectares, e produtiva “portanto não tem como se encaixar na reforma agrária”. Simões disse não entender “qual o sinal que o movimento quer dar com a ocupação da estação”. E confirmou que a secretaria vai entrar novamente com pedido de reintegração de posse.

O secretário disse saber “perfeitamente” que a reforma agrária vem sendo acelerada devido à ação do MST, mas não vê “objetivo” em invasões como a da estação da Ebda. Sobre as reivindicações de recuperação de estradas e casas de assentamentos do movimento, garantiu que a pauta vai ser cumprida normalmente.