Frutos de melhor qualidade

22/04/2008

Frutos de melhor qualidade

Um projeto da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, com sede em Cruz das Almas, recomendou, há dois anos, oficialmente, a tangerineira diamantina e a laranjeira sincorá para o Recôncavo e Litoral Norte, através do projeto de introdução e avaliação de cultivares de citrus, que está sendo realizado em parceria com a Bagisa S.A.

“Este trabalho abre uma nova área para a citricultura no Nordeste, com frutos de mais qualidade”, afirma Orlando Sampaio Passos, um dos responsáveis pela recomendação e pesquisador da Embrapa.

Passos afirmou que o lançamento das novas variedades pretende estimular o consumo de citrus no Brasil, considerado muito baixo (2,2 kg de laranja e 1,2 kg de tangerina por pessoa/ ano). “A oferta mais regular de frutos ao longo de cada ano pode aumentar o potencial dos citrus de mesa”, explica.

CULTIVOS – No Estado, a produção de limão, assim como a de laranja, é concentrada em poucos Territórios de Identidade (TI).

No cultivo da laranja, no Recôncavo, a área plantada é superior a 8.900 hectares e produção de 152.507 toneladas. O Recôncavo ocupa entre 15% a 20% da produção de citrus no Estado.

Em 2007, com relação à laranja e à tangerina in natura, a Bahia exportou 67 toneladas e 141 toneladas, gerando US$ 27 mil e US$ 75 mil, respectivamente.

“O município de Cruz das Almas se destaca, com área plantada de pouco mais de dois mil hectares e produção de 36 mil toneladas”, ressalta José Carvalhal, do setor de Dados, Números e Estatísticas da Seagri. A principal variedade plantada no Recôncavo é a da laranja-pêra.

No âmbito interno, a laranjapêra está sendo comercializada no mercado atacadista de Salvador, em média, a R$ 12 o cento, com perspectivas de obter maiores cotações nos meses de abril e maio, período que antecede as festas juninas.

O cento da laranja-pêra hoje é comercializado a R$ 8 nas feiras livres e mercados da região. No período junino, por coincidir com a safra do produto e o aumento da oferta e do consumo de laranja, o valor cai para R$ 4. Nessa época, a região produtora abastece a Ceasa, em Salvador, e outros centros comerciais.

CONSUMO – A produção baiana destina-se ao consumo da fruta fresca e à agroindústria; o suco concentrado é quase todo exportado para a União Européia, EUA e Canadá. Em lanchonetes, bares e padarias, um copo de 300 mililitros de suco de laranja custa cerca de R$ 1,50, podendo chegar a R$ 2, R$ 2,50 ou mais.

No Brasil, a citricultura é significativa para os Estados de São Paulo (77,44% da oferta nacional), Bahia (4,76%), Sergipe (3,84%) e Minas Gerais (3,61%).

Em 2006, o País produziu 20,3 milhões de toneladas (sendo 18,03 milhões de toneladas de laranja, 1,2 milhões de toneladas de tangerina e 1,03 milhão de toneladas de limão) em área colhida próxima a 913,5 mil hectares.

Em 2006, a Bahia produziu 966,9 mil toneladas de frutos (laranja, 916,5 mil toneladas; limão, 41,1 mil toneladas; tangerina, 9,3 mil toneladas), em área colhida de 57,05 mil ha, com rendimento médio de 17,13 t/ha na cultura da laranja, a mais expressiva (especialmente a pêra. Segundo o IBGE, entre os municípios maiores produtores de laranja, estão Rio Real (50,19%), Itapicuru (11,46%), Inhambupe (7%), Cruz das Almas (3,91%), Sapeaçu (3,27%), Muritiba (1,98%) e Alagoinhas (1,88%).

HISTÓRIA – Orlando Sampaio Passos conta que foi a partir da laranja-bahia que a citricultura se expandiu. Em 1873, aproveitando os serviços diplomáticos norte-americanos instalados no Brasil, os técnicos em citricultura de Riverside, na Califórnia, receberam três mudas de laranja-bahia (ou de umbigo), do bairro do Cabula, em Salvador. Delas saíram as mudas que, posteriormente, se espalharam pelos EUA e outras partes do mundo.

Em Riverside, uma donade-casa plantou a muda da laranja-bahia numa praça. “Até hoje, a laranjeira é protegida por uma grade de ferro e uma placa de bronze ao lado da árvore tem a inscrição ‘a principal introdução de fruteira no país’. Ao contrário do Brasil, que, em 1970, foi plantada uma muda no Dique do Tororó e dois anos depois, morreu. Não deram valor”, lamentou.

De acordo com o pesquisador, laranja-pêra, valência, lima, tangerinaponcã e a limaaacute;cida-taiti são as cinco variedades de laranja predominantes no País. A pêra é a mais consumida pelas indústrias de sucos concentrados.