Raiz brasileira que alimenta e incentiva a produção
Aipim, candinga, castelinha, macamba, macaxeira, mandiocabrava, mandioca-doce, mandiocamansa, maniva, maniveira, moogo, mucamba, pão-da-américa, pão-de-pobre, pau-de-farinha, pau-farinha, tapioca, uaipi e xagala.
Não importa o nome que se dê a uma das raízes mais importantes cultivadas no Brasil: a mandioca, além de amplamente apreciada, na forma de beiju, farinha, bolachas, pães e até como pizza, é base alimentar e contribui para o desenvolvimento agrícola do Estado.
Por isso, a Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical (Cruz das Almas-BA), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, comemora, amanhã, a partir das 14 horas, o Dia da Mandioca.
A data coincide com a do descobrimento do Brasil. “Foi aqui que os colonizadores portugueses descobriram também a mandioca, o ‘pão dos trópicos’, como a batizou o padre José de Anchieta, em 1560”, explica o pesquisador Joselito da Silva Motta, especialista nos usos da mandioca.
“Base alimentar em todo o período de desbravamento, sem ela não seria viável a colonização do nosso País. Seus derivados encantaram os portugueses, a exemplo dos beijus que foram descritos por Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal como ‘tão alvos e saborosos que superam em muito o pão desse reino’”.
USOS – Os usos mais comuns da mandioca são na alimentação humana (a exemplo dos beijus, bolachinhas de goma e pães de queijo) e na alimentação animal, em forma de raspa, feno e silagem.
Até mesmo a parte aérea (folhas e caules) e a manipueira, o líquido tóxico originado da prensagem das raízes, podem ser aproveitadas. A manipueira pode ser usada na confecção de tijolos e tintas e como herbicida, inseticida e adubo orgânico.
Um projeto de lei apresentado em 2001 pelo deputado Aldo Rebelo prevê a obrigatoriedade de inclusão de 10% a 20% de fécula de mandioca nas massas. O objetivo seria incentivar a produção nacional e garantir mercado para os produtores de mandioca, a maioria familiares.
“A fécula atua na mistura como um diluidor do glúten presente no trigo, conferindo ao produto final poucas alterações”, explica Joselito.
PROGRAMAÇÃO – As comemorações do Dia da Mandioca incluem a palestra “Mandioca, a raiz do Brasil”, ministrada por Joselito Motta sobre os inúmeros usos da mandioca.
O pesquisador Hermes Peixoto fará homenagem ao poeta cearense Patativa do Assaré, cuja réplica da poesia “O puxadô de roda” está materializada na casa de farinha rústica que leva seu nome, com equipamentos centenários fazendo contraste à UnidadeModelo do Centro de Tecnologia em Mandioca da Embrapa.
Na ocasião, será homenageada a pesquisadora Wania Fukuda, vencedora da 30ª edição do Prêmio Frederico de Menezes Veiga 2008, cujo tema foi “Integração Pesquisa e Extensão: Fator de sucesso da moderna agricultura brasileira”.