Rio Real se destaca com as laranjas

22/04/2008

Rio Real se destaca com as laranjas

Quem curte manter a tradição de ter laranja na mesa durante os festejos juninos, não deve ficar preocupado, pois o produto não irá faltar. Se depender dos produtores do município de Rio Real (a 203 km de Salvador), a tradição está garantida. A cidade é apontada como a sétima que se destaca na citricultura brasileira, além de acumular o título de primeira produtora do Estado e da região Norte e Nordeste.
Segundo dados da Secretaria de Agricultura do Estado, a Bahia é o segundo produtor nacional de laranja, com produção de 804,2 mil toneladas, em área de 53,6 mil hectares.
 O Estado também é o segundo produtor nacional de limão, com uma colheita de 46,9 mil toneladas em 3,39 mil hectares colhidos, contribuindo, as duas culturas, com R$ 219 milhões na formação do valor bruto da produção agropecuária em 2007.

PRESTÍGIO – Com área plantada de 23 mil hectares e produção anual de 650 mil toneladas, Rio Real representa 50,19% da área total plantada do Estado, que é de 60 mil hectares. O município é responsável pelo abastecimento de vários Estados, como Rio de Janeiro, Distrito Federal, Espírito Santo e Pernambuco.
  Tanto prestígio trouxe reconhecimento para os produtores, principalmente no âmbito internacional.
 Na última semana, um grupo espanhol esteve no município para conhecer o produto local e tentar fechar negócio com alguns produtores.

VARIEDADES – Segundo o secretário municipal de agricultura e produtor, Roberto Shibata, além da laranja-pêra, única variedade plantada em Rio Real e responsável por 80% da produção, os agricultores plantam também limão e variedades da laranja, como a lima e tangerina.
"O nosso forte é mesmo a laranja, mas plantamos outras famílias de citrus, como o limão, que, inclusive, já exportamos para a Europa", disse Shibata. Metade da produção, frisa, abastece indústrias e mercado interno.
 Roberto Shibata disse ainda que no Estado existem duas fábricas de subprodutos da laranja, como sucos concentrados, que são clientes dos produtores da região.Mas existe um projeto para implantação de uma fábrica no município, engavetado devido a problemas com a energia elétrica, que é terceirizada.
"Para que a fábrica fosse instalada aqui, necessitávamos de uma subestação elétrica. Mas a empresa Sulgipe, a qual é responsável pelo abastecimento de energia da cidade, não tem interesse na implantação", explicou o produtor.

DÉBITOS – A área de produção de Rio Real é formada de 70% de pequenos produtores que possuem terras de, no máximo, cinco hectares, onde a maioria, mesmo tendo crédito específico para o tipo de cultura, está impossibilitada de pegar os empréstimos por débitos anteriores com a União.
 A situação atual em que se encontram os agricultores, muitas vezes, dificulta a produção de citrus, já que, para a implantação da lavoura, o agricultor gasta algo em torno de US$ 7 e para a manutenção o custo gira em torno de US$ 2,5 a US$ 3.
 "Mesmo tendo a facilidade de a laranja estar adequada a qualquer tipo de solo e ao clima, os pequenos produtores necessitam desses créditos. Com débitos, fica difícil conseguir novos empréstimos", diz. E aponta ainda outro vilão: o adubo. Nos últimos meses, o insumo teve reajustes altos e acabou por influenciar na produção das laranjas.
 Hoje, a tonelada é vendida a R$ 350,00.