BID revê financiamentos a projetos

24/04/2008

BID revê financiamentos a projetos

 

O acalorado debate global que opõe os alimentos aos biocombustíveis alterou a forma como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) avalia o financiamento de projetos de biocombustíveis que possam afetar a produção de matérias-primas como milho e soja, disse um funcionário da instituição na terça-feira.
"É bom que as vozes tenham se erguido nesse debate. Os biocombustíveis não são uma panacéia completa, temos de distinguir quais são os melhores setores dos biocombustíveis", disse à Reuters o consultor-sênior do BID Nathaniel Jackson, que participa do Fórum Latino-Americano de Financiamento à Energia Renovável.
A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) disse neste mês que o aumento global na produção de biocombustíveis ameaça tornar os alimentos menos acessíveis para os pobres da América Latina.
Críticos questionam os benefícios ambientais e sociais dos biocombustíveis, o que põe grandes produtores, como o Brasil, na defensiva. Jackson e outros oradores disseram que a energia renovável tem enorme potencial de crescimento, mas exigem uma abordagem inteligente e seletiva.
O consultor disse que o BID decidiu descartar totalmente projetos para a produção de etanol do milho, como ocorre nos EUA. Embora o banco ainda se interesse por projetos que extraem álcool da soja e da cana, prefere financiar cultivos como o do pinhão-manso, que não é comestível nem exige terras aráveis.
"O ideal será algo como o pinhão-manso, que claramente não tem impacto sobre os preços alimentares", disse Jackson. "Agora, se chegarem para nós com algo que afete os preços dos alimentos, vamos provavelmente dizer que não é isso que procuramos".
"Achamos que o sorgo seria apropriado, mas a soja, por exemplo, não seria ideal, pois afeta os preços (dos alimentos). Admitimos que o preço do açúcar tem um impacto. Para ele, o banco alterou seu método de avaliação dos projetos e agora dedica mais atenção a fatores como preços, eficiência energética e desenvolvimento regional. Isso habitualmente leva à rejeição de alguns projetos mesmo que sejam sustentáveis.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 5)(Reuters)