País volta a ficar sem trigo argentino
Enquanto não resolver o conflito interno com o setor agropecuário, a Argentina não poderá exportar trigo para o Brasil. Esta foi a posição apresentada pelo governo argentino em reunião bilateral realizada ontem em Buenos Aires, em que o governo e empresários brasileiros pediram a volta das exportações de trigo, suspensas por tempo indeterminado.
O setor agropecuário argentino realizou um locaute de três semanas em março devido ao aumento de impostos sobre as exportações de soja e girassol.
Agora, campo e governo estão em uma rodada de negociações em que a exportação de trigo é um dos pontos de divergência. O Brasil importa da Argentina cerca de 70% do trigo que consome.
Diante da ameaça de desabastecimento e de alta nos preços dos derivados de trigo, como o pão, o presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Luiz Martins, que participou da reunião em Buenos Aires, afirmou que a única solução para o setor é pedir que o governo brasileiro libere mais importações sem impostos de outros países.
Comum milhão de toneladas que já foram importadas dos EUA e do Canadá e que estariam chegando ao Brasil, o abastecimento de trigo está garantido até o final de junho. “Para não aumentar o preço do pão, vamos pedir que o governo libere a importação de outros três milhões de toneladas”, disse.
Na quarta-feira passada, o secretárioexecutivo do Ministério do Desenvolvimento, Ivan Ramalho, havia afirmado que reclamaria a volta da regularidade nas exportações alegando desabastecimento e inflação no Brasil.
Representantes do governo e de empresas dos dois países vão se reunir novamente, na primeira quinzena de maio, no Brasil.
A proibição às exportações de trigo foi imposta há cerca de um ano e segue sendo prorrogada.
Foi suspensa por poucos dias. O governo justifica que a suspensão das exportações garante o abastecimento e a manutenção de preços no mercado interno.