Alimentos com agrotóxicos não podem ser descontaminados
Especialistas garantem que fórmulas caseiras são ineficazes
“Elimino os agrotóxicos colocando os alimentos de molho numa bacia com água e vinagre, uma hora antes de fazer a salada”, contou a técnica em patologia Analice de Santana, 41 anos, que ontem comprava alguns tomates e folhas de alface em um supermercado no bairro de Nazaré. Segundo especialistas, tal medida não passa de mito, já que não não há como escapar de agrotóxicos quando os alimentos já estiverem contaminados.
A nutricionista Maria Palmira Teles, do Centro de Referência Estadual para Assistência ao Diabetes e Endocrinologia (Cedeba), explica que não existem medidas que possam ser adotadas para diminuir ou retirar os agrotóxicos dos alimentos. “Uma vez contaminado, não adianta fazer mais nada”, desmistifica. Segundo ela, existem algumas partes das frutas e verduras que concentram maior teor das substâncias. “Aquela parte mais dura, que fica na rodela do abacaxi, por exemplo, não deve ser ingerida, porque ali fica todo o acúmulo do agrotóxico”, alerta.
O caso do alface e do morango é emblemático. A análise feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontou índices de agrotóxicos acima do permitido nos dois alimentos. Com relação à folha, a especialista recomenda que as pessoas evitem o tipo hidropônico. “Ele é cultivado naquela água que ninguém sabe o que contém. Sempre indico o normal. Aliás, o ideal mesmo é o orgânico”, ensina a nutricionista. Ela recomenda ainda que se evite comer morangos que não sejam do tipo orgânico, pois toda as susbtâncias nocivas ficam impregnadas nas pequenas sementes da fruta, praticamente impossíveis de serem retiradas.
Mesmo alimentos com baixa percentagem de agrotóxicos requerem alguns cuidados, a exemplo da maçã (ver box com os índices). A nutricionista destaca que as hastes da fruta não devem ser ingeridas. “Devemos comer apenas o miolo. Temos a mania de ficar comendo aqueles cantinhos. É exatamente nas pontas que o agrotóxico fica concentrado”, diz a especialista.