Etanol brasileiro seduz britânicos
A gigante de petróleo British Petroleum (BP) anunciou ontem o início de suas operações no Brasil, com a compra por R$ 100 milhões de metade da Tropical Bioenergia, uma joint venture dos grupos nacionais Maeda e Santelisa Vale. A Maeda, tradicional produtora de algodão, e a Santelisa Vale, 2º maior produtor de etanol e açúcar do Brasil, ficam com 25% de participação cada uma na nova empresa.
As três companhias investirão, proporcionalmente à participação, R$ 1,66 bilhão nos próximos anos para produzir etanol em duas unidades produtivas no País. A primeira delas, em Edéia (GO), começa a operar em julho deste ano e deve processar 4,8 milhões de toneladas de canade-açúcar até metade de 2010.
A unidade tem capacidade de produção de 435 milhões de litros de etanol/ ano. Uma segunda usina, cuja operação poderá dobrar a produção do grupo, está nos planos. Além de álcool e açúcar, cada uma das refinarias também deve produzir e vender 30 MW de energia excedente, a partir do bagaço da cana.
Segundo o presidente da divisão de biocombustíveis da BP, Phil News, é a primeira vez que uma companhia petroleira internacional investe em larga escala na área de etanol e cana-de-açúcar.
“Acreditamos nesse mercado, e o Brasil oferece a tecnologia e a matéria-prima mais eficiente e econômica para produção de biocombustíveis”, disse o executivo inglês, que veio ao Brasil para anunciar a aquisição. A BP, informou News, já desenvolve pesquisas para produção de biocombustíveis a partir de pinhão manso e óleo de palma.
DIFERENCIAL – A produção estimada da nova companhia – de 4,8 milhões de toneladas até meados de 2010 – representará 1% da produção brasileira de canade-açúcar atual. O diferencial da empresa, segundo seus executivos, será a atuação em toda a cadeia produtiva do etanol. “A experiência da BP nas áreas de logística, tecnologia e suprimentos de combustíveis permitirá uma melhora significava em nossos planos”, disse o presidente da Santelisa Vale, Anselmo Lopes Rodrigues.
O Grupo Santelisa Vale é o segundo maior produtor de cana no País e atua há mais de 70 anos na área. Cerca de 300 funcionários da nova companhia foram treinados nas usinas da Santelisa nas últimas duas safras. A unidade em Edéia, no sudoeste de Goiás, vai gerar 1,5 mil empregos diretos. Também foram firmados convênios com as universidades estaduais e federal de Goiás para transferência de tecnologia e recrutamento de trainees.
Para iniciar as operações, a empresa terá à disposição uma área 60 mil hectares no Estado.
Porém, não adquiriu as terras.
Segundo o presidente da Tropical Bioenergia, Pedro Maeda, a empresa optou por arrendar 80% da área para plantar seus canaviais.
O restante continuará nas mãos de cerca de 30 produtores locais.