Marcador molecular atesta qualidade genética do boi
Cada vez mais a tecnologia é inserida no campo. Agora, a bola da vez na pecuária é o mapeamento genético a partir de marcadores moleculares. Trata-se de uma tecnologia recente no mercado brasileiro e que deve revolucionar o sistema atual da bovinocultura.
A tecnologia, que foi apresentada em um leilão de Brahman na Expozebu 2008, em Uberaba (MG), permite que o pecuarista selecione os melhores animais do rebanho, de acordo as informações obtidas pela análise de DNA, que pode ser feita com uma simples amostra do pêlo.
O sistema é capaz de identificar diversas características de produção, como fertilidade, maciez, espessura de gordura, rendimento de cortes comerciais, marmoreio e quality grade (qualidade), proporcionando maior rendimento por cabeça.
Na seleção tradicional, demorase mais de três anos para apurar o sucesso de um acasalamento, ou seja, saber se o animal nascido, além de ele mesmo atingir os méritos morfológicos e fenotípicos desejados, irá transmitir suas qualidades à sua progênie.
HERANÇA – Com a adoção dos marcadores moleculares, é possível, já em um mês após seu nascimento, saber o animal que tem o potencial para transmitir características importantes a sua descendência.
“Podemos identificar todas as características genéticas do animal a partir da análise do DNA.
Com o mapeamento, identificamos os animais com maior potencial em fertilidade, maciez da carne e até no que diz respeito ao temperamento”, atesta o pecuarista Cláudio Paranhos, proprietário da Fazenda Japaranduba, localizada no município de Barreiras, oeste do Estado.
O pecuarista, que desde os anos 70 cria gado nelore reprodutor na região, é um dos muitos produtores espalhados pelo Brasil que investiram na novidade e afirmam que a tecnologia é um negócio de vanguarda na pecuária.
“O mapeamento é uma tecnologia simples de verificar. A partir da análise do pêlo do animal, que enviamos para um laboratório, em pouco tempo, temos o DNA do boi em mãos”, diz.
Os marcadores moleculares são elaborados pelo Programa Igenity, da Merial Saúde Animal, desenvolvedor do projeto.
EXPORTAÇÃO – A tecnologia é simples de ser interpretada. O desafio é, justamente, decidir quais fatores o pecuarista julgará mais importante para valorizar o plantel ou ganhar espaço no comércio internacional de carne.
Para alguns pecuaristas, o aumento do rendimento de área de olho de lombo (região do contrafilé) pode ser o ponto crucial no aprimoramento do rebanho. Para outros, a espessura de gordura, pois os frigoríficos remuneram mais por isso. Ou, ainda, para um terceiro grupo, o marmoreio da carne, para exportação de cortes valorizados a exigentes consumidores, como Europa, Coréia e Japão. Na Expozebu, evento que reuniu, em Uberaba, de 28 de abril a 10 deste mês, pecuaristas do País, foram ofertados no leilão 35 embriões Brahman com seleção assistida por marcadores moleculares.