Brasil se destaca em produtividade
A raiz, também conhecida como macaxeira ou aipim, é produzida em mais de 80 países e representa uma das principais explorações agrícolas do mundo, com uma produção de 170 milhões de toneladas/ano, de acordo com a Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, localizada em Cruz das Almas.
O Brasil é o maior produtor de mandioca do continente americano e participa com 15% da produção mundial.
Dados do IBGE apontam que a produção brasileira de raiz deve totalizar 26,8 milhões de toneladas em 2008, ligeira diminuição de 0,4% frente a 2007 (26,9 milhões de toneladas), decorrente da redução de 1,9% da área cultivada.
Os preços elevados de outras culturas, principalmente das concorrentes em área, como o milho e a soja, têm atraído agricultores com expectativa de maior rentabilidade.
Destaca-se ainda que, na maioria das regiões produtoras de mandioca, já há pressão sobre os custos de produção em função da valorização da terra. Alguns municípios da região do Recôncavo se destacam na produção de farinha de qualidade, como Santo Antônio de Jesus, além dos municípios localizados no seu entorno.
O preço da carga ou saca da farinha de mandioca, com 100 kg, nos principais mercados da região do Recôncavo baiano, está entre R$ 160 e R$ 170, a especial, e a R$ 130, a comum. Em Santo Antônio de Jesus, a saca de 50 kg do produto sai a R$ 70. A saca de 50 kg na Ceasa de Salvador custa R$ 85.
CUSTOS – Segundo o secretário de Agricultura de Santo Antônio de Jesus, Galdino Modesto, os pequenos agri cultores que cultivam mandioca e beneficiam a raiz em casas de farinha da região do Recôncavo baiano, como Santo Antônio de Jesus, reclamam do alto preço da mão-de-obra e da baixa oferta da raiz. “Os custos para o beneficiamento da mandioca não compensam o preço que o produto final está conseguindo obter no mercado, visto que a queda da oferta da raiz, além da alta do preço, afeta toda a cadeia produtiva. Isso acaba encarecendo o preço da farinha. Hoje, a diária de um trabalhador não sai por menos de R$ 20”, ressaltou.
Os pequenos produtores ainda têm gastos com energia, transporte; mão-de-obra, como as raspadeiras, que recebem R$ 10 a diária, além das embalagens. “Sem falar que produzir farinha dá muito trabalho”, acrescentou o pequeno produtor Agnaldo de Jesus dos Santos.
Originária da América do Sul, a mandioca (Manihot esculenta Crantz) constitui um dos principais alimentos energéticos para cerca de 500 milhões de pessoas, sobretudo países em desenvolvimento, onde é cultivada em pequenas áreas.
CASA DE FARINHA – A atividade de processamento da farinha no interior do Estado é um dos empreendimentos agrícolas que mais emprega a mão-de-obra familiar, destacando-se a elevada participação das mulheres. Por isso, a casa de farinha ajudou a fixar o homem ao campo, transformando a mandioca num importante alimento.
Em Santo Antônio de Jesus, existem 122 casas de farinha – três são comunitárias.
Na zona rural, 30 localidades plantam e beneficiam a mandioca – 90% da produção é transformada em farinha e 10%, em beiju e tapioca.
EXPOMANDIOCA – Em Santo Antônio de Jesus, nos dias 24 e 25, acontece, com a participação de várias instituições e municípios do Recôncavo, a 4ª Expomandioca. A exposição promete reunir agricultores da região, que vão demonstrar novas técnicas, incentivos à produção e diversificações do ciclo da mandioca, cujo uso culinário vem sendo cada vez mais ampliado em diversos pratos, desde a popular farinha de mesa até a tapioca e o beiju, e também inovações, como o caldo de mandioca.