Morcegos: controlando doenças
Tremores musculares, engasgo, paralisia dos membros posteriores, tristeza, salivação abundante, mudança de comportamento e andar cambaleante são alguns dos sintomas apresentados pelos animais contaminados pelo vírus da raiva dos herbívoros.
Somente neste ano, a Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) atendeu a 22 focos em todo o Estado e capturou cerca de 201 morcegos hematófagos.
Além do controle da população de quirópteros, a agência também realiza periodicamente ações de educação e saúde com criadores, estudantes e profissionais de saúde pública, como também esclarece ainda as dúvidas nas propriedades sobre vacinação dos bovinos, eqüídeos, ovinos e caprinos em áreas de foco da enfermidade.
Diante das notificações realizadas por pecuaristas do município de São Sebastião do Passé, situado a 70 km de Salvador, a Adab realizou a captura de morcegos hematófagos. A ação visa à prevenção das ocorrências da raiva em herbívoros do Estado.
“Após a captura, uma pasta vampiricida é passada no dorso dos morcegos, por estes possuírem o hábito de lamber uns aos outros, multiplicando o efeito do produto”, afirmou o gerente estadual do Programa Nacional de Controle da Raiva dos Herbívoros (PNCRH) e médico veterinário da Adab, José Neder, que foi até a região com sua equipe de médicos veterinários para efetuar os procedimentos de defesa sanitária animal para o combate à disseminação da doença.
ALTO RISCO– A raiva dos herbívoros é considerada uma zoonose (doença transmissível ao homem) de alto risco, podendo ser transmitida através da manipulação da saliva de animais doentes.
Após o animal ser agredido pelo morcego infectado, poderá contrair a doença caso não esteja vacinado e, invariavelmente, poderá vir a óbito.
Segundo o médico veterinário da Adab, José Neder, dentre os animais suscetíveis à raiva dos herbívoros, o especialista aponta que a transmissão via morcego hematófago (Desmodus rotundus) pode afetar bovinos, bubalinos, eqüídeos, caprinos e ovinos.
A transmissão acontece a partir da mordedura do morcego hematófago infectado com o vírus da raiva.
O perigo também ronda o ser humano, que corre o risco de ser contaminado através da manipulação do animal doente. De acordo com Dr. Neder, o contágio pode acontecer principalmente na região da cabeça, pois a saliva e as secreções lacrimal e nasal poderão conter grande quantidade do vírus.
Por isso, explica o especialista da Adab, é fundamental o papel dos criadores na notificação de casos em sua região. “Cabe ao proprietário informar imediatamente ao serviço de defesa sanitária animal a ocorrência de focos da doença”, orienta o Dr. Neder.
Outro detalhe é verificar a presença de animais com a sintomatologia nervosa, bem como aqueles apresentando mordeduras de morcego.
Ao detectar esses sinais, é aconselhável, para que outros animais não sejam contaminados, que seja feita a aplicação tópica da pasta vampiricida ao redor da mordedura.
O Programa Nacional de Controle da Raiva dos Herbívoros (PNCRH) é o único Estado do Norte-Nordeste a possuir legislação própria para controle da doença (Portaria Adab nº 105 de 12 de março de 2008).
O controle da população de morcegos hematófagos utiliza o método seletivo, que consiste na aplicação de pasta apenas na espécie transmissora da doença (Desmodus rotundus), não envolvendo as demais que são benéficas para o ecossistema, tais como morcegos polinívoros, insetívoros e frugívoros.