Quem comanda o preço da farinha e da raiz é a oferta
A farinha de mandioca é um dos alimentos de maior consumo no Brasil. Companhia obrigatória do feijão e do churrasco, faz parte da refeição diária de muitos brasileiros.
Dentre os principais subprodutos, destacam-se a fécula, o mais nobre, com maior valor de mercado, e a farinha.
A Bahia produziu, ano passado, 4,66 milhões de toneladas de mandioca. Para este ano, a previsão é de 4,53 milhões de toneladas (LSPA/IBGE). E o Estado é o maior consumidor de farinha: mais de 25% da produção.
Dados da Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária do Estado (Seagri) apontam para o consumo, na capital, de 14 kg por habitante/ano e, no no Estado, entre 40 kg e 50 kg de farinha per capita/ano.
DESORGANIZ AÇÃO– A mandioca, como toda cadeia produtiva com baixo nível de organização, tem uma característica comum.
Em determinados períodos, o preço se eleva por falta do produto; ocorre então um grande fluxo de agricultores plantando e ampliando áreas.
“Quando essa grande produção chega ao mercado, o preço cai e, nesse momento, muitos produtores deixam de plantar ou reduzem suas áreas. Então, o preço se eleva. Esse fenômeno é cíclico, por conta da desorganização da cadeia produtiva”, explica Marcelo Libório, coordenador de Estudos e Projetos Agrícolas (Cepea/ Seagr i).
Outra influência para a alta no preço da farinha de mandioca pode estar associada ao aumento geral dos preços em quase todos os produtos agrícolas que a agrimandioca também acompanhou.
Para o pesquisador Carlos Estevão, a alta também está associada à farinha e à raiz. “Quem produz farinha transfere para o produto final os movimentos de preço que ocorrem no mercado de raiz. Era previsível que isso ocorresse em 2008”, disse.
Estevão explicou que o preço da raiz tem um ciclo, que são movimentos de preços, que extrapolam os anos. “A mandioca tem um ciclo de preço que varia entre três e quatro anos. Em 2004, tivemos uma alta nos preços e era previsível que isso se repetisse em 2008”. Para o pesquisador da Embrapa, o comportamento do preço da farinha e da raiz é comandado pela oferta.
“Isso porque o quadro na demanda é lento, ou seja, temos um limite biológico de consumo. O preço cai, mas não faz sentido dobrar o consumo de farinha.
Quando sobe, pela população já ter o hábito, não sai comprando o produto. Ao contrário, para a maioria da população que ganha salário, o preço alto desanima, frisa o pesquisador da Embrapa.
COTAÇÕES – No Nordeste, as cotações da farinha oscilaram de R$ 41,06 para R$ 54,05/sc de 50 kg, em abril, correspondendo a uma elevação, em termos percentuais, na ordem de 32%. Este aumento seguiu a tendência dos preços da raiz.
De acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA/IBGE), a produção de raiz de mandioca, em 2007, foi em torno de 26,92 milhões de toneladas, quantidade 0,77% acima da obtida na safra 2006. Para 2008, a projeção é de redução de 0,4%, atingindo 26,82 milhões de toneladas, e 65% da produção concentra-se nos Estados de Pará, Bahia e Paraná.