Brasil aposta na abertura de mercados

27/05/2008

Brasil aposta na abertura de mercados

 

Em público, lamentando. Nos bastidores, satisfeitos. Ao que parece, é assim como têm se comportado os diplomatas brasileiros após receber indicações de que a conclusão da Rodada de Doha abrirá cotas para as exportações de açúcar e carne bovina.

Ontem, a Organização Mundial do Comércio (OMC) se reuniu pela primeira vez desde que o rascunho de um acordo final foi apresentado na semana passada.

O Itamaraty deixou claro que está pronto para utilizar o texto como base e indicou preocupações em alguns aspectos do acordo, como a abertura de mercados e a redução de subsídios.

Mas nos bastidores recebeu indicações de que as novas cotas para a exportação do açúcar chegariam a 600 mil toneladas no mercado europeu. Hoje, a cota brasileira não passa de 25 mil toneladas, e, na avaliação do Itamaraty, mesmo que o Brasil não ocupe toda a cota, ficará com grande parcela desse novo espaço aberto no mercado europeu.

Até hoje, o melhor que o País havia atingido era o compromisso dos europeus de importar um milhão de toneladas de etanol dentro do acordo entre a União Européia e o Mercosul.

No setor de carne bovina, o Brasil passaria de uma cota de apenas 5 mil toneladas para mais de 200 mil. As vendas dentro da cota são beneficiadas de tarifas de importação reduzidas, tanto no mercado de açúcar como no de carnes. Mesmo assim, o governo brasileiro insistiu que um acordo precisará garantir um corte significativo de subsídios.