Parque já foi o maior do Brasil

27/05/2008

Parque já foi o maior do Brasil

 

Mesmo em meio à grande movimentação na região, com o intenso vaivém de caminhões carregados com sacas de algodão e tulhas entupidas do produto, os técnicos avaliam que é prematuro acionar o termômetro dessa retomada do ciclo produtivo. O recente passado de glória justifica a cautela.

Maior produtor de algodão da Bahia e primeiro do Nordeste nos anos 70, o Vale do Iuiú possuía maior parque industrial algodoeiro do País, com 37 usinas para suprir a demanda dos 330 mil hectares.

Alavancando a economia de 30 municípios em seu entorno, a região teve destaque nacional ao atrair mais de 500 mil pessoas para as roças, sendo que a mão-de-obra direta empregava, em média, 330 mil trabalhadores a cada ciclo.

A partir dos primeiros anos da década de 90, surgiram problemas por conta da inflação, preços mínimos, praga do bicudo, falta de sementes selecionadas e redução da área plantada para atuais 30 mil hectares. Nada que destitua a Bahia do posto de segundo produtor nacional (atrás do Mato Grosso), apesar dos contratempos no Vale do Iuiú e migração da cultura para o oeste do Estado.

Nos dois últimos anos, registrouse um crescimento de 13% na exportação de algodão e fibras têxteis vegetais produzidos no Estado.

No Brasil, a área plantada atual é de 1,09 milhão de hectares, superior em 27,2% à da safra 2006. Na Bahia, o crescimento foi de 19%.

“Qualidade acima de tudo e aceitabilidade no mercado”, destaca o agrônomo Ernesto Ledo.

BENEFICIAMENTO – Planta, colhe, ensaca, transporta, beneficia.

Todos os dias estes verbos de ação são conjugados, na prática e em alta velocidade, na roça e na cidade, acompanhados de perto pela EBDA.

O beneficiamento é feito por município, com a sacaria devidamente identificada para não ocorrer mistura e, dessa forma, prejudicar a comparação de qualidade.

O beneficiamento do algodão fica sob a responsabilidade da Algodoeira Abreu, que ofereceu a melhor condição – dentre três avaliadas pelos produtores. O responsável pela unidade de processamento, Osvaldino Cherottes Fernandes, disse que o produto começará a ser beneficiado esta semana.

“Pela atividade de beneficiamento, vamos receber 70% do caroço de algodão produzido. Antes, o agricultor vendia o algodão em caroço e depois tinha que recomprar para alimentar o gado, mas, com essa metodologia, ele paga o beneficiamento com 70% do caroço, fica com 30% e a pluma livre”.