Audiência pública discutiu, por mais de 3 horas, PAC do Cacau

28/05/2008

Audiência pública discutiu, por mais de 3 horas, PAC do Cacau

Sec. Geraldo Simões estava animado, mas cacauicultores não


 

O entusiasmo do secretário de Agricultura, Geraldo Simões, com o PAC do Cacau ficou bastante evidenciado durante a audiência pública realizada, ontem pela manhã, por mais de três horas, pela Comissão de Agrícultura e Política Rural da Assembléia Legislativa, presidida pelo deputado Luiz Augusto(PP). A audiência contou com a participação de deputados, prefeitos, vereadores, representantes da Ceplac, da Associação Comercial da Bahia e de diversos segmentos da lavoura cacaueira.

O secretário Geraldo Simões fez uma explanação da crise do cacau desde os anos 30 e também sobre a implantação do programa, do qual será o coordenador, demonstrando que inicialmente o governo federal em parceria com o estadual pretende começar a recuperação da lavoura cacaueira.

Apesar da implantação do PAC do Cacau, que liberará R$ 2,2 bilhões de recursos oriundos do Governo Federal para recuperação da lavoureira cacaueira, os agricultores continuam demonstrando certa apreensão pelo programa, pois os mesmos continuam bastante endividados e sem uma solução viável por parte do próprio governo.

A confirmação dessa situação de instabilidade financeira no que diz respeito às dívidas de cerca de R$ 1 bilhão, contraídas depois da disseminação da praga vassoura-de-bruxa, vem trazendo um clima de revolta muito grande entre os cacauicultores. Segundo os próprios, esse débito foi adquirido para plantar o clone dos pés de cacau, no intuito de se livrar da vassoura-de-bruxa, através de técnicas desenvolvidas pela Ceplac. A única solução defendida pelos cacauicultores é a anistia da dívida por parte dos bancos oficiais.

DISCUSSÃO

Alguns agricultores defenderam a Ceplac, achando que a intenção era realmente encontrar fórmulas para salvar a lavoura cacaueira da vassoura-de-bruxa, sem nenhuma interferência política. O deputado José Nunes(DEM), por sua vez, acha que para a anistia da dívida, a própria Ceplac será o grande advogado da reivindicação juntos dos bancos oficiais, pois através o superintendente Geraldo Landim reconheceu que houve erro do órgão.

Landim disse que aconteceram três erros na tentativa frustada de recuperar a lavoura: "A tecnologia usada não deu certo mas foi usada na Amazônia e em países da América do Sul; a estiagem muito forte foi fatal para a recuperação dos pés de cacau; e o crédito liberado pelos bancos tinha quer ser a fundo perdido, já que alguns conseguiram crédito e outros não, não havendo homogenidade e por isso ficou difícil a destruição da praga.

O secretário Geraldo Simões, atento a todas às perguntas, fez questão de destacar que os juros de agora irão variar de 4 a 7% nos créditos aos cacauicultores e não de até 30%, como aconteceu no passado. No final da reunião ficou praticamente definido que este assunto vai merecer atenção especial e novas audiências com debates e análises serão realizadas até a implantação do PAC do Cacau.